Xiitas invadem Zona Verde de Bagdá e exigem governo tecnocrata

Em Bagdá

Centenas de fiéis xiitas seguidores do líder Moqtada al-Sadr invadiram neste sábado a Zona Verde de Bagdá em sinal de rejeição ao novo governo proposto pelo primeiro-ministro, Haidar al Abadi, ao qual exigem um governo tecnocrata.

Os manifestantes entraram nessa área protegida da capital iraquiana após o parlamento adiar mais uma vez a votação de grande parte do novo governo, o que aumenta a crise política vivida no país.

As pessoas que invadiram o local atenderam ao pedido de al-Sadr, que, em discurso televisionado, orientou os fiéis a rejeitarem o gabinete de Al Abadi por não considerá-lo tecnocrata.

"Não participamos nem participaremos em processo político no qual haja algum tipo de cota de partidos políticos, embora se chame tecnocrata. Não permitirei, se o povo me ajudar nisso", disse al-Sadr.

Milhares de xiitas se concentraram nos arredores da Zona Verde e centenas conseguiram chegar à parte interior. Com o objetivo de exercer ainda mais pressão, muitos entraram no parlamento, segundo mostrou a televisão oficial "Al-Iraquiya".

Em seu discurso, al-Sadr acusou os principais partidos políticos do país de se unirem de novo "para continuar seus assaltos e roubos, e designar seus ministros e candidatos" na proposta de novo governo, em vez de formar um Executivo tecnocrata.

Para al-Sadr, o gabinete que deve ser submetido à votação manteve "inclusive os corruptos, com o pretexto de que eles têm um passado lutador".

Horas depois, o clérigo pediu aos seguidores em um breve comunicado para que não danifiquem os bens públicos e privados e nem ataquem as delegações diplomáticas de outros países.

"Queimem a bandeira da ocupação (em alusão à dos Estados Unidos) mas não ataquem as Embaixadas", afirmou al-Sadr na nota.

O presidente do Iraque, Fouad Massoum, pediu em comunicado que os manifestantes "mantenham a tranquilidade, cumpram a lei, se contenham e não agridam nenhum membro do parlamento nem funcionário" e "evacuem" o parlamento. Além disso, o líder iraquiano demonstrou seu apoio à formação de um governo afastado do sectarismo.

"Consideramos que sepultar o sistema de cotas de partidos políticos e classes sociais é uma tarefa que pode ser adiada", afirmou.

O primeiro-ministro iraquiano, Haidar al Abadi, exigiu que os manifestantes xiitas se retirem da Zona Verde e voltem às áreas reservadas para os protestos.

"Peço aos manifestantes que retornem às áreas reservadas para as manifestações, se comprometam com a paz e não destruam os bens públicos e privados e as instituições do Estado", afirmou Al Abadi em comunicado divulgado por seu escritório.

O presidente do parlamento, Salim al Jabouri, indicou em outro comunicado que a situação de hoje "requer uma postura urgente para manter a nação nestas condições difíceis pelas quais atravessa".

Após a suspensão da votação do novo governo, está previsto que se volte a organizar outra na próxima semana, na qual deverá ser votada uma grande parte dos ministros da lista proposta. No dia 26 de abril, o parlamento já concordou com vários dos nomes escolhidos por Al Abadi.

O parlamento ressaltou, em comunicado, que os candidatos que obtiveram a confiança são tecnocratas, já que esta remodelação tem como objetivo acabar com as cotas sectárias e melhorar a eficiência do governo.

No meio desta crise, há dez dias, al-Sadr retirou a participação dos deputados de seu bloco político, Al Ahrar (Os Livres), nas sessões da câmara, até que os parlamentares votem o novo governo. EFE

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