Alemanha estreia inéditas coalizões diante de erosão do bipartidarismo

Berlim, 2 mai (EFE).- O fracasso nas últimas eleições regionais de conservadores e social-democratas alemães gerou inéditas coalizões no país, como a apresentada nesta segunda-feira no estado de Baden-Württemberg, liderada pelos ecologistas e com a CDU, partido de Angela Merkel, como membro minoritário.

A denominada coalizão "kiwi" - verde com pontos negros, cor atribuído na Alemanha aos conservadores - foi a opção escolhida após o naufrágio do Partido Social-Democrata (SPD), que tinha sido o parceiro dos ecologistas na última legislatura, e depois de a CDU só alcançar 27% dos votos em um "Land" (o equivalente alemão a um estado) que governou quase seis décadas.

O populismo de direita do Alternativa para a Alemanha (AfD), que teve 15% dos votos, chegou a superar o SPD, e determinou o andamento das negociações em Baden-Württemberg, como também nos outros dois Estados que realizaram eleições em março: Renânia-Palatinado e Saxônia-Anhalt.

Em um pronunciamento à imprensa, o verde Winfried Kretschmann, que será novamente o primeiro-ministro de Baden-Württemberg, e que é o político mais bem avaliado do país, segundo as pesquisas, afirmou que o acordo de coalizão com a CDU abrange "mais do que o mínimo denominador comum", em referência às diferenças programáticas que tiveram que ser resolvidas para fechá-lo.

Os Verdes, que já fizeram história nesse estado na legislatura passada ao deixarem de ser sócio minoritário e passarem a liderar um governo regional pela primeira vez na Alemanha, dão agora um novo passo para liderar uma coalizão com a CDU, principal força em nível nacional.

A outra coalizão inédita aconteceu no estado da Saxônia-Anhalt, onde o AfD conquistou 24% dos votos, se tornando a segunda força no "Land", e onde os partidos da grande coalizão governante não somaram maioria suficiente para repetir essa fórmula.

Decididos a deixar fora do Executivo essa nova direita de tinturas xenófobas, a única conformação possível foi a denominada coalizão "Quênia" - conservadores (negro), social-democratas (vermelho) e ecologistas (verdes), ratificada semana passada no parlamento regional.

Na Renânia-Palatinado, a primeira-ministra social-democrata, Malu Dreyer, também se viu obrigada a ampliar a coalizão assinada com Os Verdes na última legislatura para incluir os liberais, um tripartite com poucos precedentes no país.

Fora desse governo "semáforo" - os liberais alemães são conhecidos pela cor amarela - ficaram os conservadores da CDU e os populistas do AfD, que tiveram 12,6% dos votos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos