Assessor jurídico das Farc afirma que a paz pode ser assinada em junho

Bogotá, 2 mai (EFE).- O advogado espanhol Enrique Santiago, que assessora as Farc no processo de paz que essa guerrilha mantém com o governo colombiano, afirmou nesta segunda-feira que o acordo final pode ser assinado em junho se ambas as partes não "perderem tempo com discussões desnecessárias" sobre os dois pontos que faltam ser concretizados.

"A assinatura do acordo de paz deve ocorrer no primeiro semestre deste ano. Minha previsão é que se ambas as partes trabalharem na mesa para abordar os temas pendentes e não perderem tempo em discussões desnecessárias, no final de maio ou junho estariam fechados todos os pontos, incluído o acordo final", declarou Santiago em entrevista ao jornal "El Tiempo".

O assessor explicou que os pontos restantes, que englobam o desarmamento e a desmobilização dos guerrilheiros e o cessar-fogo bilateral e definitivo, entre outros aspectos, "são muito delicados", mas ressaltou que com trabalho intenso o acordo final pode ocorrer em três meses ou menos.

"Não é preciso ficarmos nervosos, não se deve se preocupar com as pequenas crises que vão ocorrendo neste contexto; o importante é não perder tempo, trabalhar intensamente nos temas pendentes e conseguir um maior envolvimento nestes meses que restam", comentou.

Dentro dos temas pendentes, Santiago destacou como especialmente complexas as "garantias de segurança" e as "políticas de desmantelamento eficaz do paramilitarismo" solicitadas pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que veem neste fenômeno uma ameaça para sua vida uma vez deixarem as armas.

Um "segundo problema" tem a ver com as zonas de concentração nas quais a guerrilha se desarmará, cujo número e localização estão por definir.

Segundo Santiago, o governo colombiano "pretende assimilar estas zonas a centros de reclusão, ou seja, propõe lugares fechados onde não se possa entrar e nem sair e onde não possa ocorrer nenhum tipo de contato dos guerrilheiros com a população civil", algo que, segundo sua opinião, é "contraditório" e "absurdo".

"É absurdo que uma força guerrilheira que manteve relação com a população civil, historicamente, e que essa relação foi seu principal sustento e apoio nestes 50 anos de conflito, seja proibida de ter uma relação com essas pessoas", considerou.

A respeito da definição de um prazo para deixar as armas, o assessor disse que esse processo poderia terminar no final deste ano ou princípios de 2017.

"Se houver compromisso e seriedade por parte do governo de iniciar as políticas de segurança, ou seja, de combate eficaz ao paramilitarismo, esse processo de deixar as armas pode estar concluído no final deste ano ou nos primeiros dias de 2017".

O governo colombiano e as Farc se encontram em negociações há mais de três anos e meio em Havana para pôr fim ao conflito armado que, no último meio século, deixou quase sete milhões de vítimas no país.

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