Azerbaijão alerta Armênia contra o reconhecimento de Nagorno Karabakh

Baku, 3 mai (EFE).- O Ministério das Relações Exteriores do Azerbaijão advertiu nesta terça-feira que o reconhecimento da independência da autoproclamada república de Nagorno Karabakh pelo governo da Armênia significaria o fim do processo para uma regulação pacífica do conflito entre ambos os países.

"O reconhecimento oficial por Yerevan do regime separatista criado em territórios azerbaijanos ocupados colocaria um fim no processo de paz", declarou o porta-voz da Chancelaria azerbaijana, Hijmet Gadzhiev.

O porta-voz ressaltou que, caso ocorra esse extremo, o Grupo de Minsk, copresidido por França, Rússia e Estados Unidos, perderia o mandato para mediar no conflito.

Gadzhíev fez esta advertência após o governo armênio informar que na próxima quinta-feira deve analisar um projeto de lei sobre o reconhecimento da independência de Nagorno Karabakh.

A iniciativa foi apresentada por dois deputados opositores, Zarui Potandzhian e Grant Bagratian. Potandzhian já apresentou vários projetos para que a independência de Nagorno Karabakh seja reconhecida, todos rechaçados pelo governo armênio.

Até agora, a Armênia se negou a reconhecer a independência de Nagorno Karabakh com o argumento de que essa decisão prejudicaria o processo negociador.

No início de abril, três dias de sangrentos combates puseram fim a mais de duas décadas de tensa paz entre armênios e azerbaijanos e custaram a vida de 150 pessoas. Para conter a situação, foi adotado um frágil cessar-fogo, durante o qual Baku e Yerevan se acusam de violação se acusam diariamente de violação.

O conflito entre os dois países vizinhos do Cáucaso Sul remonta aos tempos da antiga União Soviética, quando o território azerbaijano de Nagorno Karabakh, majoritariamente povoado por armênios, pediu sua incorporação à vizinha Armênia, o que originou uma guerra que deixou 25 mil mortos.

A disputa terminou com a vitória das forças armênias, que não só tomaram o controle de Nagorno Karabakh, mas também ocuparam vastos territórios azerbaijanos, que denominam "faixa de segurança", e que permitiu unir o enclave à Armênia.

O Azerbaijão exige que a Armênia abandone os territórios ocupados, que representam aproximadamente 20% da superfície total do país.

O presidente azerbaijano, Ilham Aliyev, alertou várias vezes que cedo ou tarde, mediante negociações ou pela força, será restabelecida a integridade territorial de seu país.

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