Grupo recompensará estudantes que delatem professores anti-armas no Texas

Austin (EUA), 3 mai (EFE).- Os estudantes da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, estão autorizados por lei a portar armas em sala de aula a partir do próximo semestre e, para evitar que alguns professores os proíbam, um grupo de lobby armamentista ofereceu nesta terça-feira recompensas para quem delatá-los.

"Uma das medidas que consideramos é oferecer um prêmio em dinheiro ao estudante que documente um maior número de casos verificáveis nos quais professores proíbam o porte de armas nas instalações", informou em comunicado a diretora regional do grupo Students for Concealed Carry, Antonia Okafor.

A norma que permite aos estudantes ir armados às aulas entrará em vigor no próximo dia 1º de agosto e os grupos armamentistas pretendem garantir seu cumprimento perante a crescente oposição de grande parte do professorado da universidade, com sede na cidade de Austin, capital do estado do Texas.

De fato, a expectativa é que haja uma avalanche de processos contra professores a partir do próximo mês de agosto.

O Students for Concealed Carry, um grupo de lobby que pretende impulsionar a legalização das armas em todas as universidades do país, destacou que, além das recompensas em dinheiro, estuda "uma variedade de medidas" para "documentar" as violações de uma lei que procura proteger os estudantes de possíveis tiroteios.

Não são poucos os professores que advertiram que não permitirão armas em suas aulas ou que ameaçaram abandonar a instituição desde que o Congresso do Texas, controlado pelos republicanos, aprovou esta polêmica norma no ano passado dentro de um pacote de medidas que também incluíram o livre porte de armas na via pública.

Foi o caso do único vencedor do prêmio Nobel que a Universidade do Texas tem em seu corpo docente, Steven Weinberg (Física, 1979), que assegurou que buscará um novo trabalho antes de permitir a entrada de estudantes armados em suas aulas.

Por sua parte, o prestigiado decano de Arquitetura, Fritz Steiner, anunciou recentemente que deixará seu cargo e a instituição no final deste semestre por causa da implementação da norma.

O presidente da universidade, Greg Fenves, disse recentemente que as armas "não pertencem" a um local de ensino e que aplicar a medida representou "o maior desafio" de sua carreira.

A nova legislação entrará em vigor no 50º aniversário do dia mais triste da história da universidade: um massacre protagonizado por um estudante que deixou 14 mortos e 30 feridos no campus de Austin.

Por outro lado, o estado do Tennessee aprovou nesta segunda-feira um projeto de lei similar ao do Texas que permitirá a professores e funcionários - mas não a estudantes - portar armas nas instituições universitárias.

Com o Tennessee já são 10 os estados que permitem o porte de armas em universidades dos EUA.

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