Justiça espanhola ordena deter altos cargos russos por vínculos com máfia

Madri, 3 mai (EFE).- A Justiça espanhola ordenou nesta terça-feira a detenção de 12 pessoas relacionadas com uma trama mafiosa radicada na Espanha, entre eles Nikolai Nikolaevich Aulov, alto cargo do Ministério do Interior russo, e Igor Sobolevsky, ex-alto cargo da Promotoria.

Segundo explica a Audiência Nacional espanhola em um auto datado em janeiro, ambos estão relacionados com a trama mafiosa liderada por Gennadios Petrov, cuja organização criminosa "conseguiu uma evidente penetração nos estamentos do Estado de seu país".

No caso de Aulov, o juiz afirma que o funcionário de Interior russo recebia dinheiro de Petrov e ambos trocavam "favores" "para obter benefícios tanto pessoais como profissionais", como por exemplo a ordem dada por Aulov de deter vários policiais por "atuar contra os interesses de uma pessoa do entorno de Petrov".

"Aulov faz uso de seu poder e dispõe de gente de sua confiança para realizar atos de intimidação e ameaças a certas pessoas que tratam de prejudicar Petrov", explicou o juiz espanhol José da Mata no auto de busca e captura.

Segundo o auto, Aulov, que é "uma pessoa muito próxima à organização criminosa" de Petrov conhecida como "Tambovskaya", deu além disso em várias ocasiões "instruções" para que fizesse desaparecer de programas informáticos com "acusações" contra terceiras pessoas.

No documento também consta que Aulov comentou com o líder mafioso informações secretas que o afetavam pessoalmente.

Com relação a Sobolevsky, que era vice-primeiro-ministro da direção geral da Promotoria russa, o documento indica que informava Petrov sobre atuações das forças de segurança da Rússia relacionadas com o crime organizado, em troca de "presentes" ou do pagamento de certas despesas pessoais.

Sobolevsky solicitou a Petrov "certos favores", concretamente "a ocupação de um posto de trabalho dentro de seu entorno laboral, valendo-se das amizades que Petrov mantém na Administração russa".

Entre as pessoas que Da Mata ordenou deter e pôr à disposição de seu tribunal também figuram Anton Petrov, filho de Gennadios Petrov; o empresário Ilias Traber, parceiro da companhia petrolífera PTK; o empresário Arkady Buravoy, entre outros.

Vários deles residiam na Espanha e canalizavam os rendimentos do grupo mafioso desde suas casas em luxuosas urbanizações de Mallorca (Ilhas Baleares, arquipélago mediterrâneo espanhol), onde Petrov residia até que foi detido em 2008.

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