Macri diz que justiça é "independente" sobre investigação dos Panamá Papers

Buenos Aires, 3 mai (EFE).- O presidente da Argentina, Mauricio Macri, disse nesta terça-feira que parece "muito bom" que um juiz investigue seu suposto vínculo com sociedades em paraísos fiscais, após seu nome aparecer no vazamento dos Panamá Papers, e afirmou que é assim que se age em um país onde a justiça trabalha "de forma independente".

Em entrevista coletiva na Casa Rosada, em Buenos Aires, o presidente fez referência a um precatório que o juiz federal Sebastián Casanello fez na segunda-feira ao Panamá para esclarecer "a informação que saiu nos meios de comunicação".

"Acho muito bom. Tem que fazer todos os requerimentos necessários para confirmar se o que disse é verdade ou não. Disso se trata atuar em um país onde a justiça trabalha de forma independente", destacou.

Segundo uma resolução a que a agência estatal "Télam" teve acesso, Casanello pediu ao Panamá e às Bahamas os relatórios para averiguar se Macri "figura ou figurou como acionista" em duas empresas mencionadas na investigação jornalística conhecida como Panamá Papers.

O juiz requereu dados sobre as sociedades Fleg Trading LTD e Kagemusha SA.

A decisão faz parte de um conjunto que inclui outras medidas de prova, como por exemplo a intervenção na Unidade de Informação Financeira para que "com fontes locais e internacionais" corrobore a existência destas sociedades, acrescentou a agência.

"Estou à disposição de um juiz no civil, de um juiz federal para fornecer toda a informação", acrescentou Macri, que já no começo de abril, depois de um promotor solicitasse a investigação de seu papel em sociedades em paraísos fiscais, disse não ter "nada que esconder" e que havia cumprido a lei.

Em 3 de abril, após o vazamento dos documentos que relacionam políticos e empresários de todo o mundo com empresas laranjas em paraísos fiscais, a presidência esclareceu que a companhia foi criada pelo pai do chefe de Estado, Franco Macri, empresário de origem italiana, para realizar um investimento no Brasil quenão chegou a se concretizar.

"Não somente fiz a declaração inicial dizendo que não era acionista, e como diretor não recebi nenhum tipo de retribuição, mas além disso levei todos esses papéis ao Escritório Anticorrupção para que o verificassem", argumentou Macri poucos dias depois.

No entanto, o presidente argentino, que assumiu o cargo em 10 de dezembro, pediu naquela época à Justiça "uma declaração de certeza" para verificar que não houve uma "omissão maliciosa" em sua declaração juramentada de bens enquanto era chefe do governo da cidade de Buenos Aires (2007-2015).

Macri anunciou além disso a criação de um "fideicomisso cego", pelo qual pessoas que ele não conhece administrarão seus bens enquanto permanecer na função pública.

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