MSF denuncia "epidemia" de ataques contra hospitais nas guerras

Nações Unidas, 3 mai (EFE).- A ONG Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou nesta terça-feira nas Nações Unidas a existência de uma "epidemia" de ataques contra hospitais em conflitos como os da Síria, Iêmen e Afeganistão.

"Os hospitais foram arrasados", advertiu a presidente da organização, Joanne Liu, em discurso perante o Conselho de Segurança da ONU.

Liu, que discursou após a aprovação de uma resolução exigindo a cessação dos ataques contra instalações e pessoal da saúde, pediu aos membros que assegurem o cumprimento desse texto e não permitam que como muitos outros seja "violado com impunidade".

"Esta resolução deve fazer com que todos os atores estatais e não estatais detenham o massacre. Também devem pressionar seus aliados para que cessem os ataques contra a saúde e a população em áreas de conflitos. Não vamos deixar nenhum paciente para trás e não vamos ficar calados", insistiu Liu.

A MSF lembrou hoje como na quarta-feira passada um hospital que dava apoio na cidade síria de Aleppo foi bombardeado, deixando pelo menos 55 mortos, incluído o último pediatra que ficava na cidade.

Também pôs sobre a mesa ataques parecidos que suas instalações sofreram no Iêmen pelas mãos da coalizão liderada pela Arábia Saudita e no Afeganistão, onde no ano passado 42 pessoas morreram em um ataque americano sobre um hospital.

"Parem com estes ataques", pediu repetidamente Liu, que garantiu que as agressões contra os centros de saúde estão se transformando em algo "rotineiro" apesar de serem totalmente proibidas sob as normas internacionais.

Entre outras coisas, a MSF exigiu investigações independentes destes ataques e defendeu que os responsáveis não podem ser ao mesmo tempo "investigadores e juízes".

Também discursou perante o Conselho de Segurança o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Peter Maurer, que lembrou que "inclusive as guerras têm limites".

Maurer disse que sua organização documentou 2,4 mil ataques contra pacientes e pessoal e instalações médicas em um período de três anos, distribuídos em 11 países em conflito.

"É uma dolorosa paradoxo que nos momentos de maior necessidade, a disponibilidade de cuidados médicos esteja em seu ponto mais baixo", afirmou.

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