Varela afirma que sucesso do Panamá não depende de chegada de dinheiro ilegal

Washington, 3 mai (EFE).- O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, afirmou nesta terça-feira que o sucesso de seu país não depende da chegada de dinheiro ilegal e reiterou o compromisso de seu governo com a transparência financeira, ao ressaltar que o escândalo revelado pelos Panama Papers é um "problema global".

"Vamos evitar que a plataforma financeira do Panamá seja utilizada para fins ilegais", indicou Varela no discurso de abertura da 46ª Conferência das Américas, organizada pelo Departamento de Estado dos Estados Unidos e pelo Centro de Estudo Conselho das Américas, em Washington.

Além disso, o presidente do país destacou o grande desempenho econômico do Panamá, com um crescimento anual acima dos 6% nos últimos anos, um desemprego menor do que 4% e uma inflação baixa, inferior a 1% ao ano.

"É um sucesso que não depende da chegada irregular de dinheiro", disse Varela, citando a "monumental" da ampliação do Canal do Panamá, que será completada no próximo mês, e a "atrativa posição geográfica" do país em relação ao comércio global.

Varela voltou a reiterar que o Panamá optou pela transferência financeira e fiscal, e que o caminho não será retrocedido.

Dessa forma, o presidente do Panamá comentava assim o escândalo dos Panama Papers, o vazamento em massa de documentos do escritório de advocacia Mossack Fonseca que revelou milhares de empresas off shore criadas em paraísos fiscais para evitar o pagamento de impostos e gerando uma polêmica global, devido ao envolvimento de personalidades de todo o mundo.

"Deixamos as portas abertas para uma troca multilateral de informações. Já tivemos conversas bilaterais com outros países, como as Bahamas e a Cingapura. Em breve, faremos com países do G20 como Alemanha e Japão", afirmou Varela.

"Se trata de um problema global", disse o presidente.

Nesse mesmo sentido, Varela lembrou que na sexta-feira determinou a instalação do Comitê Independente de Especialistas Nacionais e Internacionais para avaliar as práticas vigentes nos serviços financeiros do país.

Além disso, destacou que o Panamá anunciou no ano passado que se uniria em 2018 à iniciativa da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) para a troca automática de informação fiscal, baseada na criação de padrões internacionais comuns para compartilhar esses dados.

Durante a visita a Washington, Varela se reunirá com autoridades do governo americano, assim como com os responsáveis do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), do Fundo Monetário Internacional (FMI) e da Organização dos Estados Americanos (OEA).

A viagem faz parte, de acordo com um comunicado da presidência panamenha, de uma "ofensiva diplomática realizada pelo país por causa do debate internacional sobre transparência nos sistemas financeiros e tributários".

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