Acampamento norueguês permite que jovens sejam refugiados por dois dias

Copenhague, 4 mai (EFE).- Uma associação norueguesa organiza nos arredores de Oslo acampamentos de fim de semana nos quais os jovens vivem pessoalmente a experiência de serem solicitantes de asilo, uma iniciativa que ganhou notoriedade nos últimos meses com a crise de refugiados em toda Europa.

"Camp Refugee" simula uma viagem desde o Sudão à Noruega na qual os participantes, de entre 13 e 20 anos, devem solicitar permissões de viagem, atravessar postos fronteiriços, pernoitar em um acampamento, enfrentar à burocracia norueguesa e viver em um centro para refugiados.

"O objetivo pedagógico é dar uma experiência realista, embora simplificada, dos problemas que os refugiados enfrentam. Através do jogo devem ser tomadas decisões individuais e em grupo, e depois assumir as consequências", explicou à Agência Efe Kenneth Johansen, diretor da "Refugee Norge", entidade impulsora do acampamento.

Os participantes "sentem em seu corpo" o que significa enfrentar a burocracia, a corrupção e a perseguição através de um jogo que não poupa dureza física e nem mental, embora exista a possibilidade de fazer uma pausa ou se retirar através do uso de um código verbal, se considerar necessário.

"Trabalhamos para mudar atitudes e impulsionar uma maior tolerância", afirma Johansen, que lembra que o grupo nasceu em 2004 com o propósito de chamar a atenção sobre o problema dos refugiados e lutar contra a xenofobia e o racismo entre os jovens noruegueses.

Desde sua criação impulsionaram acampamentos de fins de semana no primeiro semestre do ano com uma média anual de 5 mil presentes, o número máximo que pode assumir uma iniciativa na qual todos na organização são voluntários.

Da mesma forma que em muitos outros países europeus, a questão dos refugiados teve um papel destacado no último ano na Noruega, cujo governo restabeleceu os controles fronteiriços e cortou ajudas para conter a chegada de solicitantes de asilo.

A crise dos refugiados coincidiu com um maior aumento da demanda de vagas para o acampamento, que já atingiu quase toda a cota para 2017, afirma Johansen, que ressalta o caráter não político da iniciativa.

"Camp Refugee não tem uma agenda política. Para nós é importante que cada participante forme uma opinião sobre o que significa ser refugiado. Por isso usamos o método de aprendizagem pelos fatos", explica.

As respostas que a organização recebe dos participantes após a experiência são majoritariamente positivas, assegura Johansen.

Embora muitos admitam que não voltariam a fazer, grande parte dos voluntários são antigos participantes.

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