Corredor bioceânico põe em risco indígenas isolados, diz ONG paraguaia

Assunção, 4 mai (EFE).- O corredor bioceânico, uma infraestrutura viária que prevê conectar o Atlântico no Brasil com o Pacífico no Chile, põe em risco os indígenas que permanecem em estado de isolamento voluntário na região, advertiu a ONG paraguaia Iniciativa Amotocodie em seu último relatório.

O corredor bioceânico é um dos projetos para a estratégia de Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA), que conta com apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e do Banco de Desenvolvimento da América Latina-CAF.

No caso do Paraguai, o projeto do corredor prevê a construção de uma ponte entre a cidade brasileira de Porto Murtinho e a paraguaia de Carmelo Peralta, ambas na zona do Pantanal, sobre o rio Paraguai.

Isso implica, além disso, na pavimentação de 250 quilômetros de estrada entre Carmelo Peralta e a cidade de Loma Plata, no Chaco Central.

A Iniciativa Amotocodie advertiu em um relatório divulgado nesta semana que estas infraestruturas "afetam, sem dúvidas, a estabilidade do grupo ou dos grupos sem contato" da região, que pertencem ao povo indígena Ayoreo e que são considerados nômades silvícolas, ou seja, habitantes de zonas florestosas.

A ONG garantiu, além disso, que "as obras e depois o aumento de passagem, constituirão uma barreira" para as famílias de indígenas isoladas, o que aumentará sua vulnerabilidade.

A organização acrescentou que os estudos sociais e ambientais vinculados ao projeto do corredor bioceânico "não atendem de maneira alguma à situação dos povos indígenas e, muito menos, à presença de grupos isolados na região".

A organização estima que entre 80 e 150 membros do povo Ayoreo se encontram isolados em zonas florestais do Chaco paraguaio, o que os transforma no último povo indígena da América que permanece isolado fora da Amazônia.

A ONG internacional Survival considera os Ayoreo "o povo indígena mais vulnerável do país", e criticou em março a falta de ações do governo paraguaio para protegê-los do desmatamento e outros projetos que ameaçam sua sobrevivência.

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