Filhos de sobrevivente do Holocausto se encontrarão mais de 60 anos depois

Berlim, 4 mai (EFE).- Uma alemã de 67 anos, filha de um judeu sobrevivente do Holocausto, conheceu graças ao Serviço Internacional de Busca (ITS) o meio-irmão, nascido em Israel uma década depois, e ambos se encontrarão no próximo mês.

O ITS, com sede em Bad Arolsen (oeste da Alemanha) é um organismo fundado antes do término da Segunda Guerra Mundial com o objetivode localizar parentes separados pelo Holocausto, desaparecidos ou mortos, além de funcionar como centro de pesquisa.

O arquivo da entidade tem mais de 30 milhões de documentos de todos os tipos, procedentes de antigos campos de extermínio e concentração nazistas, de listas dos milhões de trabalhadores forçados nas empresas colaboradoras do Terceiro Reich, documentação dos aliados e relatos de sobreviventes.

Graças a este serviço, Ursula, filha de um judeu romeno deslocado à Alemanha, conseguiu localizar o pai, morto nos anos 80, e o meio-irmão, ainda vivo e residente em Israel.

A história desta família, segundo destaca o ITS em comunicado, reflete a movimentação da comunidade judaica após a Segunda Guerra Mundial.

O pai, Nathan, judeu nascido na Romênia, sobreviveu ao Holocausto e em 1947 foi junto com irmãs e mãe para um acampamento americano para deslocados na Alemanha, onde conheceu Ruth, alemã não judia.

Ambos se apaixonaram, mas quando Ruth estava grávida de Ursula, Nathan emigrou em 1948 para Israel e perdeu a comunicação com a família na Alemanha.

Após o falecimento de sua mãe, Ursula começou a buscar o pai e, após recorrer ao ITS em 2014, encontrou diversa e valiosa documentação sobre a família.

O sobrenome de Ursula aparecia como Unlinczki em sua certidão de nascimento, embora em romeno seja transcrito como Ulinski, e com essa grafia descobriu dois dados fundamentais: a morte de seu pai Nathan em 1986 e a existência de um meio-irmão nascido em Israel em 1956, Eli.

Em setembro de 2015, o ITS proporcionou a Ursula o endereço e o telefone de seu meio-irmão e a partir de então mantiveram contato semanal através de videochamadas.

"Esse momento é impossível de se esquecer", descreve Ursula, que se encontrará pela primera vez com Eli em junho em Heidenheim, na Alemanha, cidade na qual seus pais se conheceram e se apaixonaram, embora nenhum dos dois saiba muito desse período.

"Meu pai era um homem muito carinhoso, mas muito doente, que nunca queria falar do passado", explicou Eli, em sitnonia com o que Ursula contou sobre sua mãe, que "guardou silêncio toda a vida".

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