General líbio ordena ofensiva para libertar Sirte, reduto do Estado Islâmico

Trípoli, 4 mai (EFE).- O general Khalifa Hafter, chefe do Exército leal ao parlamento líbio em Tobruk, ordenou nesta quarta-feira que suas tropas ataquem a cidade de Sirte, principal reduto jihadista no litoral do Mediterrâneo, informou à Agência Efe uma fonte de segurança da cidade oriental de Benghazi.

A fonte, que não preferiu não ser identificada por motivos de segurança, explicou que unidades de terra da chamada "Operação Karama" estão já tomando posições na entrada oriental da cidade, em poder do braço líbio do grupo jihadista Estado Islâmico desde fevereiro de 2015.

Uma fonte de segurança que se encontra em uma cidade próxima a Sirte explicou à Agência Efe, por sua vez, que aviões de combate que não identificou bombardearam durante o dia várias posições do EI em essa cidade.

Os caças-bombardeiros atacaram vários edifícios do chamado grupo Uakaduko, considerado a sede do Tribunal Islâmico radical, e outras posições da cidade de Al Sabaa, na periferia leste de Sirte, acrescentou.

Perante a ofensiva, os jihadistas pediram mobilização geral na cidade através de seus meios de comunicação afins e começaram a transferir unidades de artilharia, infantaria e cavalaria para os bairros orientais.

Um comboio com 12 carros artilhados, um veículo blindado e uma ambulância saíram de Sirte rumo à cidade de Abu Hadi, acrescentou a fonte.

Os tambores de guerra, que ressoam há vários dias, fizeram com que a pouca população civil que resta na cidade na qual nasceu e o ditador Muammar Kadafi fugisse para zonas mais seguras.

Segundo fontes de Segurança na zona, cerca de 200 famílias ficaram presas, bloqueadas pelos jihadistas na estradas que conduzem às localidades vizinhas de Ben Jawad e Benghazi, esta última também sob intensos combates.

A ofensiva para libertar Sirte foi anunciada na sexta-feira pelo chefe do chamado governo de unidade e do Conselho Presidencial designado pela ONU, Fayez al Serraj, que pediu que todas as milícias e responsáveis políticos se unam sob sua bandeira.

Hafter, membro da cúpula golpista que levou ao poder Kadafi e depois se transformou em seu principal opositor no exílio, é um dos principais obstáculos para a paz na Líbia, oposto ao governo de unidade.

O mesmo Hafter também está em conflito com as milícias de Misrata, afins ao Conselho Presidencial, e com a força autônoma que defende as instalações petrolíferas, que igualmente se preparavam para o planejado ataque a Sirte.

A Líbia é um Estado fracassado, vítima da guerra civil e do caos, desde que em 2011 a comunidade internacional apoiou militarmente a revolta rebelde contra a ditadura de Kadafi.

Há um mês, três grupos disputam o poder político: um parlamento reconhecido internacionalmente com sede em Tobruk, um governo considerado rebelde em Trípoli, e um gabinete de unidade refugiado na capital que carece de legitimidade popular e que nenhum dos outros dois reconhece.

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