Governo iemenita e rebeldes houthis retomam consultas de paz

Cairo, 4 mai (EFE).- Os representantes do governo do Iêmen e do movimento dos houthis retomaram nesta quarta-feira as conversas de paz diretas no Kuwait, depois de o lado governamental suspendê-las após a tomada rebelde de uma base militar no domingo.

O enviado da ONU para o Iêmen, Ismail Ould Sheikh Ahmed, publicou em sua conta no Twitter uma fotografia da reunião e a mensagem: "começa a sessão mista de consultas de paz e o seguimento da agenda de trabalho pactuada".

Esta rodada de negociações, que começou em 21 de abril após vários atrasos, foi iniciada com consultas indiretas até sábado, quando os dois lados ficaram frente a frente.

Sheikh Ahmed destacou pouco antes do início da sessão que vão "afastar o processo político (as negociações) da situação das frentes" para evitar que o diálogo volte a ser interrompido.

O acompanhamento do cessar-fogo - em vigor desde 10 de abril - será abordado pelo chamado Comitê de Tranquilidade e Coordenação, que apresentará relatórios e recomendações práticas que os rivais deverão cumprir.

O mediador internacional ressaltou que as partes reiteraram seu respaldo ao Comitê de Tranquilidade e Coordenação e aos subcomitês locais para consolidar a trégua nas províncias em que houve enfrentamentos.

Sobre as conversas de paz, a Human Rights Watch (HRW) pediu hoje às partes que "apóiem investigações internacionais, justiça transitória e compensações às vítimas como elementos chave de um acordo".

No Kuwait não estão sendo discutidos os crimes de guerra dos dois lados, segundo o comunicado da HRW, que insistiu que a coalizão árabe-sunita contra os houthis efetuou vários bombardeios ilegais contra bairros residenciais.

"É crucial para as conversas de paz do Iêmen tratar das atrocidades do passado, assim como de um acordo político futuro. Um mecanismo deve ser iniciado para investigar os abusos, processar os responsáveis e ajudar as vítimas", disse Joe Stork, subdiretor da HRW para o Oriente Médio.

O frágil diálogo direto foi suspenso no domingo pelo governo em protesto pela tomada da base militar Al Amalaqa, no norte do país, pelos insurgentes.

Um dia depois, o líder dos houthis, Abdul Malik al Houthi, se mostrou pessimista sobre as conversas entre seu grupo e o governo do presidente Abdo Rabbo Mansour Hadi, ao afirmar que "há grandes obstáculos".

A guerra no Iêmen se intensificou em março de 2015 com a intervenção militar da coalizão árabe-sunita contra os rebeldes xiitas, que tinham conseguido expulsar o governo de Hadi do país.

As rodadas de negociação anteriores, assim como as tréguas estipuladas, fracassaram.

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