Jornalistas egípcios exigem renúncia de ministro após prisão de repórteres

Cairo, 4 mai (EFE).- O Colégio de Jornalistas do Egito exigiu nesta quarta-feira, em uma assembleia geral extraordinária, a saída do ministro do Interior, Magdy Abdelgafar, e a libertação dos repórteres detidos, em uma queda de braço com as autoridades motivada pelos últimos atropelos contra a liberdade de imprensa.

Em um ambiente reivindicativo, as centenas de jornalistas que abarrotavam a sala, a entrada do sindicato e até a rua, clamaram pela liberdade e contra a repressão das forças de segurança, como pôde constatar a Agência Efe.

"Os jornalistas em cima, o Ministério do Interior abaixo", "os do Interior são pistoleiros" e "levanta a cabeça, você é jornalista" foram algumas das palavras de ordem inspiradas nas chamas da revolução de 2011 que derrubou o então presidente Hosni Mubarak.

Entre aplausos, a direção do Colégio de Jornalistas anunciou que além da saída de Abdelgafar solicitava aos meios de comunicação que "não citassem o nome do ministro até que deixe o cargo".

Ela também exigiu uma explicação da presidência para a invasão policial à sede do sindicato no domingo, que foi qualificada pelos jornalistas de "assalto brutal e sem precedentes".

Muitos dos presentes acusaram o presidente egípcio, Abdul Fatah al Sisi, de ser o responsável pela censura à imprensa.

O Colégio de Jornalistas cobrou ainda o fim do assédio que as forças de segurança estabeleceram em torno ao sindicato há vários dias e a libertação "imediata" dos jornalistas detidos.

Outra das medidas estipuladas é que os veículos de imprensa coloquem um sinal de luto em seus sites e nos canais de televisão como protesto, e que todos os jornais egípcios imprimam o lema "não ao segredo de justiça, não às restrições sobre a imprensa".

A Procuradoria Geral egípcia impôs esta semana o segredo de justiça sobre o caso dos dois jornalistas detidos na sede do sindicato no domingo, Amre Mansur Badri e Mahmoud al Saqa, do jornal digital "Bawabat Yanair", acusados de infringir a lei de protestos e tentar desestabilizar o país.

Para o chefe de redação adjunto do jornal "Alam al Yum", Mustafa Jalafa, a batida foi "uma agressão clara do Interior, que poderia ter sido evitada se as autoridades tivessem informado o sindicato de maneira oficial de que havia dois colegas requeridos pela justiça".

"O Colégio de Jornalistas representa as liberdades no Egito e dá voz a todos os oprimidos. Em suas escadas se manifestam todos os que têm exigências legítimas e nós adotamos todas as questões da sociedade e as defendemos", ressaltou Jalafa à Efe.

A sede do sindicato esteve rodeada por caminhonetes da polícia e os dois acessos à rua foram bloqueados com cercas, nas quais os agentes dificultavam a passagem dos jornalistas.

Houve momentos de tensão entre a polícia e os repórteres, que repreenderam o os agentes anti-distúrbios por tentarem impedir seu acesso.

Ainda houve cerca de 30 manifestantes a favor do governo que foram até a porta do sindicato com fotografias do presidente Al Sisi para insultar os repórteres com frases como "os jornalistas são um lixo".

Há pelo menos dois anos, vários organizações denunciam o retrocesso da liberdade de imprensa no Egito, que em 2014 foi qualificado pelo Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) como um dos países mais perigosos para se trabalhar.

O relatório de Repórteres Sem Fronteiras (RSF) de dezembro de 2015 situou o Egito como o segundo país do mundo com mais jornalistas na prisão, 22 naquele momento, número que chegou a 29 agora.

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