Mulher argentina receberá pensão após comprovar que viveu com sacerdote

Buenos Aires, 4 mai (EFE).- A província de Entre Ríos, no leste da Argentina, concedeu uma pensão a uma mulher que comprovou ter vivido mais de duas décadas em concubinato com um sacerdote que morreu em junho de 2014, confirmaram nesta quarta-feira à Agência Efe fontes do governo provincial.

A Caixa de Aposentadorias e Pensões da província lhe outorgou a ajuda ao considerar que as provas que apresentou demonstravam que existiu uma convivência "com espírito matrimonial" durante mais de 20 anos, informou o presidente do organismo, Daniel Antonio Elías.

O homem era um sacerdote da igreja católica que atuou como capelão em um hospital público e docente provincial, um fato que para Elías era "inoficioso" já que a atividade eclesiástica não "empanaria" a grande quantidade de dados fornecidos pela mulher.

Por esse motivo, resolveu que era "procedente" entregar-lhe o benefício em personalidade de "convivente supérstite" (que sobrevive à outra pessoa) após receber provas documentais que credenciavam a compra de bens e investimentos em comum, a igualdade de domicílio, coberturas de saúde conjuntas e seguros de vida nos quais ambos punham o outro como beneficiado.

"Demonstrava uma convivência com os caráteres que pede a lei" ao ter formado "um núcleo familiar que sustentavam compartilhando suas rendas" durante, pelo menos, os cinco anos prévios ao falecimento, como exige a lei, afirmou.

Em consequência, se considerou que a "ausência" do sacerdote provocava um impacto no "status" que tinham construído e, por isso, lhe foi concedida a pensão, embora esta seja de um valor inferior ao da média da província, que se situa em 14.000 pesos (R$ 3.425).

Segundo revelou Elías, o organismo não tem a obrigação de envolver-se na intimidade do casal nem credenciar se houve ou não "amor conjugal", mas basta comprovar que a convivência recíproca gerou uma "comunidade".

Há alguns anos, na província houve outro caso de uma mulher que alegava ter tido uma relação e filhos com um padre falecido, mas nessa ocasião não conseguiu comprová-la, razão pela qual é a primeira vez que se outorga uma pensão nestas circunstâncias em Entre Ríos e, segundo Elías, no país, já que "não se tem notícia" que tenha ocorrido um fato similar.

"Exerci minha responsabilidade e resolvi isso a partir de minha competência, que é a jurídica", garantiu, antes de insistir que, como católico, sua "condição religiosa" não lhe gerou "nenhum tipo de pressão" para atuar, já que o fato de que se tratasse de um sacerdote pertence a "outro âmbito de discussão".

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