Trump se prepara para batalha contra Hillary Clinton pela presidência dos EUA

Pedro Alonso.

Washington, 4 mai (EFE).- Após a súbita desistência de seus rivais, Donald Trump é o virtual candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos e já se prepara para uma batalha pela Casa Branca contra a democrata Hillary Clinton, sua possível adversária.

Em menos de 24 horas de uma autêntica reviravolta política, o polêmico empresário se transformou no "provável indicado" após o contundente triunfo nas eleições primárias de Indiana, realizadas ontem para escolher o aspirante republicano à Casa Branca.

"Vamos contra Hillary Clinton. Ela não será uma grande presidente", afirmou um entusiasmado Trump, em Nova York, após a decisiva vitória em Indiana.

Apesar de partir como claro favorito, Trump viu o caminho para a candidatura presidencial se abrir quando seu principal rival na disputa republicana, Ted Cruz, senador pelo Texas, anunciou que jogaria a toalha após o fechamento das urnas em Indiana.

A trajetória do empresário rumo à indicação ficou ainda mais fácil depois de fontes da campanha do terceiro oponente na corrida, o governador de Ohio, John Kasich, terem antecipado que ele também anunciará a desistência da disputa nesta quarta-feira.

Cruz e Kasich uniram forças há algumas semanas para tentar impedir que Trump obtivesse, dentro do processo de primárias, os 1.237 delegados necessários para ser automaticamente o indicado do partido para disputar a presidência nas eleições de novembro.

Os dois pretendiam forçar a realização de uma disputada Convenção Nacional Republicana em julho, abrindo as portas para um candidato alternativo a Trump, que contava, até então, com a oposição da cúpula do partido devido a sua campanha provocativa e grosseira.

Depois da recente reviravolta, porém, o presidente do Comitê Nacional Republicano, Reince Priebus, ficou sem opções e foi obrigado a reconhecer que o empresário, que nunca ocupou um cargo político, será o "provável indicado" do partido à Casa Branca.

Onze meses após lançar sua candidatura, considerada como uma piada e um ato de vaidade pelos analistas, Trump está a poucos passos de concorrer à presidência dos EUA em novembro.

Em uma entrevista à emissora "MSNBC" hoje, o milionário afirmou que tentará unificar o partido, revelou que estuda vários nomes de candidato a vice-presidente e antecipou que seu companheiro de chapa será uma "pessoa com experiência política".

"Eu tenho talento nos negócios. Preciso de alguém que me ajude com a legislação, que seja amigo de senadores", afirmou o ex-apresentador do reality show "The Apprendice" (O Aprendiz), que dominou a campanha republicana com um discurso de características ultranacionalistas, xenófobas e protecionistas.

Apesar de destacar a necessidade de "experiência política", Trump informou que incluirá o neurocirurgião aposentado Ben Carson, um dos 16 pré-candidatos republicanos derrotados pelo empresário, entre os nomes para a vice-presidência.

Com a mira já sobre Hillary Clinton, Trump atacou hoje a favorita à indicação presidencial democrata, que saiu derrotada em Indiana para seu único rival, Bernie Sanders, senador por Vermont, mas ainda mantém uma ampla vantagem na corrida.

"Ela não deveria poder nem ser candidata", afirmou o empresário, ao citar o escândalo do uso de um servidor privado de e-mail para conversas sigilosas quando a ex-primeira-dama exerceu o cargo de secretária de Estado, entre 2009 e 2013.

Em entrevista à "CNN", Hillay respondeu Trump, chamando de "tiro às cegas", em referência ao caráter imprevisível do empresário, e criticou a campanha "negativa, agressiva e intimidatória" do rival.

"Não acredito que possamos correr o risco de Donald Trump. Não concorro contra ele. Vou competir para ser presidente dos EUA", afirmou a ex-primeira-dama.

Se as eleições presidenciais "já começaram de alguma maneira", como sugeriu o próprio Trump ontem, ele terá que batalhar muito caso queira se eleger em novembro, segundo uma pesquisa de intenções de voto divulgada hoje pela "CNN".

Hillary tem 54% da preferência do eleitorado contra 41% de Trump. Foram entrevistados 1.001 adultos (890 deles eleitores registrados) entre os dias 28 de abril e 1º de maio.

Além disso, 49% têm uma imagem positiva da ex-secretária de Estado, enquanto 56% percebem Trump de forma negativa, conforme a pesquisa, que tem margem de erro de 3,5%.

Tudo indica que os Estados Unidos viverão uma disputada batalha pela Casa Branca e, vistos os ânimos de ambos os adversários, o comentarista político do "The Washington Post" Chris Cillizza deu hoje um conselho aos cidadãos norte-americanos. "Preparem-se para a corrida presidencial mais desagradável já vista", escreveu.

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