Adiano julgamento de jornalista cazaque que teria divulgado informação falsa

Astana, 5 mai (EFE).- Um tribunal do Cazaquistão adiou nesta quinta-feira o julgamento que devia acontecer contra a jornalista Guzyal Baidalinova, acusada de receber uma compensação econômica em troca de "divulgar informação falsa" sobre o KazKommertsbank, maior banco privado do país.

Baidalinova, dona da página informativa independente "nakanune", será finalmente julgada no dia 13 de maio, quando pode ser condenada a dez anos de prisão por causa da suposta publicação de um artigo que causou perdas de centenas de milhares de dólares à entidade bancária.

Oksana Makushina, funcionária do "nakanune", escreveu em seu Facebook que as autoridades judiciais "de repente adiaram o julgamento, sem explicação".

As forças de segurança cazaques detiveram Baidalinova, de 47 anos, no dia 23 de dezembro do ano passado por causa de sua suposta atuação contra o KazKommertsbank, que denunciou ao portal de notícias pela "difusão de informação falsa", que causou perdas de US$ 440 mil à entidade.

A jornalista ficou em prisão preventiva desde sua detenção oficial no dia 26 de dezembro de 2015, apesar dos vários pedidos de liberdade sob pagamento de fiança.

Tamara Kaleyeva, presidente da Fundação Internacional para a Proteção da Liberdade de Expressão Adil Soz e presidente interina da União de Jornalistas do Cazaquistão, disse à Agência Efe que tem "dúvidas de que o julgamento vá ser objetivo, justo e imparcial".

"Este tribunal infringiu pactos internacionais que o Cazaquistão ratificou, especialmente o acordo sobre os Direitos Civis e Políticos. Nós (Cazaquistão) nos comprometemos a respeitar o direito dos cidadãos à liberdade de expressão", disse Kaleyeva.

De acordo com a versão da Polícia, "o material publicado foi claramente uma encomenda e continha informação deliberadamente falsa, e até provocativa, e sem conteúdos concretos. O cliente pagou com dinheiro pelas ações do meio de comunicação, proporcionando-lhe assim um canal informal de financiamento".

A divulgação de informação falsa é um crime no Cazaquistão desde o ano passado, com pena de até dez anos de prisão.

A chefe do departamento de Relações Públicas do KazKommertsbank, Larisa Kokovinets, afirmou à Efe que o banco estava só tentando defender sua reputação e a relação com seus clientes das falsas publicações.

"Entendam nossa posição. O banco não está diretamente contra Guzyal Baidalinova e outros jornalistas, mas contra aqueles que estão por trás deles. Nosso processo é contra os organizadores destas publicações negativas sobre as atividades de nosso banco", explicou Kokovinets.

Segundo o banco, o dono do portal de notícias e análise russo "Respublika" e "nakanune" publicaram um artigo falso sobre as atividades do KazKommertsbank.

O banco sustenta, além disso, que desde junho de 2014 "Respublika" e "Nakanune" publicaram 48 e 12 artigos deste tipo, respectivamente.

"Após a publicação destes artigos o banco perdeu a confiança de seus clientes. Começou então a saída de dinheiro de nossos depósitos. Isto teve um impacto negativo em nosso negócio e na totalidade do sistema bancário cazaque", explicou Kokovinets.

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