Subchefe do exército adverte sobre surtos de radicalização nazista em Israel

Jerusalém, 5 mai (EFE).- O subchefe do exército de Israel, general Yair Golan, em um discurso que gerou polêmica no país, advertiu sobre possíveis focos de radicalização na sociedade israelense, que lembram "processos que se produziram na Europa em geral e na Alemanha em particular".

"Se há algo que me assusta é a identificação entre nós - em 2016 - de aterrorizadores processos que se produziram na Europa em geral, e na Alemanha em particular, há 70, 80 e 90 anos", disse o alto comando, em uma atípica comparação em Israel entre as atividades de grupos radicais judeus e os nazistas.

Em discurso ontem à noite no instituto Mesuá, dedicado à preservação da memória do Holocausto, o militar se referiu à radicalização nestes últimos anos da sociedade israelense e a surtos de um nacionalismo implacável, às vezes encorajado pelos próprios dirigentes políticos.

"O Holocausto, na minha opinião, deveria nos levar a uma profunda recapacitação sobre a natureza humana, sobre a responsabilidade dos líderes, sobre a qualidade da sociedade", destacou durante o evento que também teve a participação do ministro da Educação, o nacionalista Naftali Bennett.

Israel celebra hoje o Dia do Holocausto, que lembra os seis milhões de judeus assassinados pelas nazistas, uma jornada de luto marcada desde ontem à noite por dezenas de atos oficiais e o soar das sirenes que paralisaram todo o país às 10h (4h em Brasília).

Em sua crítica à atitude de certos grupos e dirigentes políticos, o general Golan insistiu que "não há nada mais fácil e simples do que odiar o estranho, que se bestializar e (depois) se justificar, e não há nada mais fácil que instaurar o medo. É preciso fazer um exame de consciência".

"No Dia do Holocausto devemos falar de nossa capacidade de extirpar de nós os focos de intolerância, os focos de violência, os focos que conduzem à autodestruição", ressaltou.

E deu como exemplo o caso de um soldado israelense, processado por homicídio, que mês passado baleou um agressor palestino na cidade de Hebron para lembrar o que o exército e a sociedade israelense devem enfrentar e resolver.

Golan insistiu que o Holocausto deve servir não só para lembrar as vítimas, mas também para "nos questionarmos qual é o objetivo do retorno à nossa terra (Israel), e daí quais valores devemos santificar ou não" na sociedade.

A comparação gerou uma onda de condenações da direita, mas também amostras de apoio da esquerda, que elogiou a "coragem" do general.

"Os perturbados que agora começarão a gritar contra ele devem saber: assim soam a ética e a responsabilidade", publicou em sua conta no Twitter o líder do Partido Trabalhista, Isaac Herzog, ao dar todo seu apoio ao exército.

Já o nacionalista Bennett pediu ao alto comando que "retificasse (a declaração de Golan) antes de os negacionistas do Holocausto transformarem suas declarações em bandeira de suas atividades e de nossos soldados serem comparados aos nazistas".

Por causa da polêmica, o exército divulgou hoje um esclarecimento aos veículos de imprensa, que diz que Golan "não teve a intenção de comparar o exército e o Estado de Israel com fatos que ocorreram durante o período nazista".

"A comparação é absurda e não tem fundamento, e não houve nenhuma intenção de estabelecer paralelismos ou criticar os líderes civis", afirmou a nota.

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