Trump se soma à lista de políticos que usam canções sem permissão

Juan Carlos Gomi

Bogotà, 5 abr (EFE).- Os Rolling Stones se somaram à lista de artistas que proibiram o uso de suas canções nos atos de campanha do possível candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump.

Antes, estrelas como Adele, Aerosmith, REM e Neil Young viram suas melodias serem usadas na campanha do magnata nova-iorquino e denunciaram a transmissão de suas canções sem permissão.

Desta forma, os artistas tratam de evitar que suas composições se associem a Trump, já que consideram que sua imagem pode ser danificada pelo repetido uso de suas canções na batalha eleitoral.

Esta prática, não inadequada -as canções estão protegidas pelos direitos autorais-, é muito comum na esfera política, sobretudo, quando se tenta ganhar votos.

A música sempre arrasta sentimentos e uma canção popular pode atrair uma massa de eleitores...e o que é mais importante, os jovens!.

Na esfera da política americana são famosos os casos de artistas que rejeitaram abertamente que certos políticos toquem suas composições. Um mais populares foi contra outro candidato republicano: Ronald Reagan.

Em sua campanha de 1984, o ator transformado em candidato presidencial usou a canção "Born in the USA", de Bruce Springsteen, que logo rejeitou o uso desta atuação que, por outro lado, mal interpretava o sentido trágico da composição.

Isso sim, Springsteen não teve nenhum problema em apoiar anos depois Barack Obama, como outros muitos artistas que sempre se movimentam dentro da esfera democrata americana.

Não se pode esquecer que esta tradição "liberal" nos EUA se remonta ao apoio, entre outros, de Frank Sinatra à campanha de Franklin Roosevelt em 1940 e John F. Kennedy em 1960.

Mas voltando ao "pirateio" musical para apoio eleitoral só é preciso olhar as primeiras canções nas listas de sucesso para saber qual vai ser utilizada fraudulentamente no "gingue" eleitoral.

O impacto mundial que teve o tema "Happy" de Pharrell Williams atraiu muitos candidatos no México -Antonio Tareq-, no Peru -partidários de Keiko Fujimori- e, atualmente, Hillary Clinton, que incluiu a canção em sua "playlist" oficial neste ano.

As canções otimistas, sem dúvida, são as favoritas dos comitês eleitorais dos partidos. "Eu quero apenas", de Roberto Carlos, e "Color Esperanza", de Diego Torres -sempre se mostrou publicamente contrário a seu uso-, são exemplo disso.

Depois, os aspirantes não somente se apropriam da canção, mas mudam as letras a seu gosto. Na Colômbia, por exemplo, o popular tema "La camisa negra" de Juanes passou para "Tengo la camisa puesta" que o candidato e atual presidente Juan Manuel Santos usou -e retirou- em sua campanha ao Palácio de Nariño.

Outros muitos políticos como George W. Bush, Nicolas Sarkozy, Angela Merkel -usando a canção "Angie" dos Rolling Stones-, Nicolás Maduro e John McCain, utilizaram -eles ou suas equipes eleitorais- canções pegajosas sem permissão e nem direitos e tiveram que indenizar, em alguns casos, os artistas afetados.

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