De origens paquistanesas, Sadiq Khan é o 1º prefeito muçulmano de Londres

Guillermo Ximenis.

Londres, 6 mai (EFE).- Filho de um casal de paquistaneses que se mudou para os subúrbios de Londres nos anos 60, Sadiq Khan tornou-se nesta sexta-feira o primeiro prefeito muçulmano da capital do Reino Unido.

Este ex-ativista dos direitos humanos de 45 anos e membro do Partido Trabalhista, que cresceu junto com sete irmãos em um imóvel popular, venceu nas urnas o candidato Zac Goldsmith, do Partido Conservador e descendente de uma rica dinastia de empresários britânicos.

Khan repetiu durante a campanha que sua trajetória pessoal é paralela à história recente de Londres, uma metrópole com 8,6 milhões de habitantes na qual 44% da população faz parte de uma minoria étnica.

O programa com o qual ele ganhou o pleito combina medidas voltadas para ganhar votos em diversos campos. Promete soluções drásticas para a crise de habitação e congelar o preço do transporte público, ao mesmo tempo em que garante que será o prefeito "mais propício aos negócios que Londres já teve até agora".

Khan nasceu pouco depois da chegada ao Reino Unido de seus pais, um motorista de ônibus e uma costureira que apertaram seus salários e os benefícios estatais que recebiam para criar os filhos em Tooting, um bairro ao sul da cidade que ainda hoje luta para perder a fama de conflituoso.

O político trabalhista, que treinou como boxeador em sua juventude, dormiu em um beliche em casa de seus pais até os 24 anos, quando saiu para se casar com a também advogada Saadiya Ahmed, com quem tem duas filhas.

Naquela época, ele começou a trabalhar no escritório da ativista humanitária Louise Christian, que apenas três anos depois o tornou seu sócio e renomeou a firma para Christian Khan.

O novo prefeito também foi, durante três anos, presidente do Liberty, um grupo de pressão a favor dos direitos civis.

Como advogado, ele representou há mais de uma década personalidades controversas como o líder do grupo "Nação do Islã", Louis Farrakhan, que tem entrada no Reino Unido vetada, o que levou seus críticos durante a campanha a acusá-lo de ser transigente com o extremismo religioso.

Seus tempos como advogado terminaram quando foi aberta uma seleção do Partido Trabalhista para interessados em uma vaga no Parlamento britâmnico pelo distrito de Tooting, em 2004. Eleito, um ano depois ele chegou à Câmara dos Comuns.

O primeiro-ministro Gordon Brown o nomeou em 2008 secretário de Estado "júnior" para as Comunidades Locais e, em 2009, ele passou a ser secretário de Estado de Transporte.

O respaldo definitivo a sua carreira política no trabalhismo veio em 2010, quando Khan dirigiu a campanha que levou Ed Miliband a ser eleito líder da oposição.

Cinco anos depois, ele foi um dos dirigentes que nomearam o esquerdista Jeremy Corbyn para suceder Miliband, apesar de, desde então, ter se distanciado do novo líder e de suas políticas.

Na reta final antes das eleições para a prefeitura, Khan fez acenos ao setor mais centrado do partido e mais crítico da atual direção.

Em uma de suas declarações mais polêmicas dos últimos meses, Khan elogiou Londres por ser uma cidade onde vivem "mais de 400 mil milionários". "Isso é bom", afirmou o trabalhista, o que deu combustível a algumas críticas dentro de seu partido.

A pressão sobre Khan aumentou pouco antes do pleito por causa de uma polêmica sobre o antissemitismo no Partido Trabalhista que foi acesa pelo ex-prefeito Ken Livingstone ao alegar que o ditador nazista Adolf Hitler defendeu o sionismo em sua chegada ao poder.

Khan, que insistiu sobre a necessidade de aumentar a presença de minorias étnicas e religiosas nas instituições britânicas, saiu à margem da controvérsia ao criticar a direção do partido por não ter agido "suficientemente rápido" diante dos "muitos exemplos de pessoas que sustentam esses pontos de vista" dentro da legenda.

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