Tunísia apoia governo de unidade líbio apesar de conflito na fronteira

Trípoli, 6 mai (EFE).- O primeiro-ministro da Tunísia, Habid Essid, se tornou nesta sexta-feira o primeiro chefe de governo africano a visitar Trípoli e apoiar o gabinete de unidade e o Conselho Presidencial da Líbia, designado pela ONU.

Essid chegou pela manhã ao aeroporto de Mitiga e se reuniu com o chefe do governo de unidade líbio, Fayez al-Sarraj, na base naval na qual estão refugiados desde que, há um mês e meio, chegaram da Tunísia a Trípoli por mar de forma escondida.

Al-Sarraj e Essid analisaram assuntos como o conflito na fronteira comum, fechada para a passagem de caminhões e outros veículos comerciais há mais de uma semana e sobre a qual expressaram confiança em uma retomada em breve.

Essa região do deserto, de difícil controle, é o principal problema para ambos os países, já que através dela ocorre o tráfico ilegal de armas e pessoas, além da infiltração dos grupos terroristas.

Segundo explicaram à Agência Efe fontes dos serviços secretos da Tunísia, calcula-se que mais de 500 radicais tunisianos, muitos com experiência de combate na Síria e no Iraque, entraram na Líbia no último ano.

Da Líbia saíram, aparentemente, os jihadistas tunisianos que em 2015 causaram os atentados do Museu do Bardo em Túnis e na cidade litorânea de Sousse, nos quais morreram 60 turistas estrangeiros.

A Tunísia afirma que vários dos líderes do ataque fracassado à cidade fronteiriça de Ben Guerdan, capital tunisiana do comércio ilegal, chegaram de campos de treinamento na Líbia.

Essid e Al Sarraj também analisaram os preparativos para a ofensiva que o governo de unidade pretende fazer para libertar a cidade de Sirte, controlada pelo braço líbio do grupo jihadista Estado Islâmico há quase um ano.

A Tunísia expressou em diversas ocasiões sua oposição a uma intervenção militar estrangeira, embora semanas atrás o presidente tunisiano, Beji Caid Essebsi, tenha garantiu que seu país não vê com maus olhos os bombardeios.

"O acordo alcançado hoje é positivo e construtivo. Também decidimos retomar os voos diretos entre Trípoli e a cidade de Túnis. Coordenaremos com a Tunísia as questões de segurança, assim como nos âmbitos econômico, político, de controle de fronteira e contraterrorismo", disse Al-Sarraj em entrevista coletiva conjunta.

Essid, por sua parte, expressou o apoio da Tunísia ao chamado governo de unidade "com o qual estaremos lado a lado e ajudaremos em tudo o que necessitar".

"O apoio aos líbios e aos objetivos deste governo, que desempenhará um importante papel na história deste país, é firme. Trabalharemos para garantir que a Líbia seja melhor do que antes, e somos otimistas", concluiu.

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