Autoridades do Canadá reconhecem impotência para controlar incêndio florestal

Julio César Rivas.

Toronto (Canadá), 7 mai (EFE).- O incêndio que já consumiu 156 mil hectares de floresta boreal no noroeste do Canadá segue fora de controle e crescendo, reconheceram neste sábado as autoridades do país, que expressaram impotência diante da magnitude do desastre.

O fogo, ajudado pelas incomuns condições meteorológicas registradas na província de Alberta, onde praticamente não choveu nos últimos dois meses e se esperam temperaturas de até 28ºC hoje, poderia atingir 200 mil hectares neste sábado, o dobro de ontem.

A única boa notícia para as autoridades canadenses é que os ventos estão levando as chamas rumo à região nordeste de Alberta, longe das principais áreas povoadas da província.

O incêndio chegou hoje perto das instalações de extração de petróleo do norte de Fort McMurray, o que poderia reduzir ainda mais a produção de petróleo, a principal atividade econômica da região, o coração do setor petrolífero do Canadá.

Os trabalhadores que atuam nestas instalações, pertencentes à companhia Syncrude, foram retirados ontem para "garantir a segurança do nosso pessoal e a integridade das operações", informou a empresa.

Chad Morrison, encarregado da prevenção de incêndios florestais em Alberta, explicou hoje que não prevê que as instalações sofram danos, porque estão bem preparadas para resistir e contam com seus próprios sistemas contra incêndio de capacidade elevada.

Durante uma entrevista coletiva hoje, a primeira-ministra de Alberta, Rachel Notley, reconheceu que as centenas de bombeiros que estão lutando contra o fogo em Fort McMurray e contra outros 48 focos de incêndio na província têm pouco o que fazer.

"Esse incêndio está longe de estar sob controle", disse Notley.

Também hoje, o ministro da Segurança Pública do Canadá, Ralph Goodale, afirmou que o incêndio é "imprevisível e perigoso" por causa das condições meteorológicas existentes em Alberta.

Enquanto se espera a chegada da chuva para ajudar os bombeiros a conter as chamas, as autoridades estão focadas em terminar a retirada das pessoas que tiveram que se refugiar ao norte de Fort McMurray, que teve que ser esvaziada entre terça e quarta-feira.

Do total de 70 mil pessoas que deixaram o município, 25 mil foram para a região norte, nos acampamentos usados pelos trabalhadores do setor petrolífero, porque as chamas tinham bloqueado a rota de fuga para o sul da cidade, a principal ligação para os maiores centros urbanos de Alberta, Edmonton e Calgary.

Ontem, as autoridades iniciaram a retirada dessas pessoas para o sul de Alberta. Goodale declarou que cerca de 7,5 mil conseguiram atravessar Fort McMurray, uma cidade fantasma na qual só permanecem 200 bombeiros para proteger as infraestruturas essenciais, em comboios de automóveis escoltados pela Polícia Montada. Além disso, outras 12 mil deixaram o local por via aérea, segundo Notley.

As autoridades confiam que as condições permitam a retirada das demais pessoas ainda hoje. Enquanto isso, a Polícia Montada continua o trabalho de bater de porta em porta das casas de Fort McMurray para garantir que todos os habitantes abandonaram a cidade.

Ontem, alguns moradores ignoraram a ordem de retirada porque acreditavam não haver perigo de permanecer no local.

Até o momento, as autoridades informaram de duas mortes relacionadas com o incêndio: dois jovens que faleceram na quarta-feira em um acidente de trânsito quando deixavam Fort McMurray.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos