Donald Trump, um rei usando o Twitter e a imprensa tradicional ao seu favor

Lara Malvesí.

Nova York, 7 mai (EFE).- O pré-candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, conseguiu atingir o sucesso no Twitter, rede social na qual tem mais seguidores que o presidente do país, Barack Obama, mas também dominou a imprensa tradicional, apesar das várias críticas feitas por jornalistas.

"Trump é único lidando com sua própria marca. É o melhor vendedor do mundo, e a imprensa não consegue escapar", disse em entrevista à Agência Efe a professora de Jornalismo da Universidade de Columbia, em Nova York, e autora da biografia "The Trumps: Three Generations of a Builders and a Presidential Candidate", Gwenda Blair.

Em seus comícios, as críticas de Trump aos veículos de imprensa são habituais, uma atitude que, segundo Blair, é bastante comum entre os republicanos, que veem os jornais como o "The Wall Street Journal" e o "The New York Times" como parte de uma "conspiração liberal de esquerda".

Mas o empresário tem uma capacidade única de se manter nas manchetes dos principais jornais americanos, mesmo com os editoriais alertando sobre o perigo de sua candidatura para o país.

Muitas redações debatem sobre em que medida Trump enganou os veículos de imprensa, tão bem conhecidos por ele, e como os jornalistas acabaram contribuindo para dar publicidade a campanha do pré-candidato republicano de forma involuntária.

"Certamente contribuiu, mas você não pode deixar de cobrir um candidato se ele diz coisas que são notícia. Trump quer colocar sua marca, sem se importar com o conteúdo. Para ele, os eleitores são seus clientes", explicou a professora.

"Silenciar-se como imprensa não faria sentido. O que sim está nas mãos dos veículos é ir além e escrever matérias explicando as contradições de Trump, suas mudanças de postura", completou Blair.

Um meio no qual o empresário pode controlar tudo é o Twitter, onde ele tem 8 milhões de seguidores, mais do que os 6,15 milhões da pré-candidata democrata Hillary Clinton, sua possível adversária nas eleições presidenciais de novembro.

"As redes sociais permitem que ele se comunique como e quando quiser, sem passar pelo filtro dos jornalistas", afirmou a professora da Universidade de Columbia, que destaca o fato de o próprio empresário escrever cada mensagem na rede social.

"Ele não é uma pessoa que goste de delegar, de se deixar assessorar. Isso é algo que pode se tornar um grande problema se chegar à Casa Branca", afirmou a autora da biografia da saga Trump.

Uma de suas últimas mensagens de maior repercussão no Twitter foi enviada nesta quinta-feira. "Feliz Cinco de Maio! Os melhores tacos são servidos na Trump Tower Grill. Amo os hispânicos", escreveu em espanhol o empresário, acrescentando uma foto de si próprio, sorridente, em seu escritório em Manhattan.

Cerca de 200 mil pessoas compartilharam a mensagem ou a marcaram como favorito no Twitter. A mensagem foi uma referência ao feriado de 5 de maio, comemorado por mexicanos que vivem nos Estados Unidos.

Um dia antes, como destacou a própria Hillary Clinton, entre outros, Trump tinha reiterado seus planos de deportar mexicanos e muçulmanos do país.

Perguntada se acha que Trump acabará se tornando o presidente dos EUA, Blair preferiu não descartar a possibilidade. "Ele conseguiu ser o rei do mundo imobiliário, dos cassinos, da imprensa. Por que não vai conquistar a Casa Branca?"

Ela, no entanto, discorda de outros analistas, e acredita que o empresário não irá diminuir o tom de suas declarações polêmicas para se tornar mais presidenciável. "Ele perderia seu essencial, o que o faz ganhar popularidade", avaliou a professora.

"Veremos se os americanos que o veem como sua personalidade favorita de televisão consideram ou não ele como o adequado para ocupar o posto mais importante do mundo", completou Blair, destacando que o empresário, porém, já chegou mais longe do que a maioria imaginava.

Para Blair, o segredo de Trump para despertar tanta atenção dos americanos é seu "imprevisível discurso, sua capacidade de dizer às pessoas frustradas pela situação econômica o que elas querem ouvir, embora isso seja política e moralmente reprovável".

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