Ex-namorada de Morales comemora "primeira vitória" legal contra ele

La Paz, 7 mai (EFE).- A boliviana Gabriela Zapata, ex-namorada do presidente Evo Morales, proclamou sua "primeira vitória" legal no fim desta sexta-feira, após uma audiência em que uma juíza declarou "não comprovada" uma ação apresentada pelo presidente que envolve o filho deles.

"Hoje é minha primeira vitória. O processo que apresentou o senhor presidente contra minha pessoa foi considerado não provado. Eu não exerci violência sobre minha criança", disse Zapata à imprensa ao sair da audiência quase à meia-noite, após oito horas de debate.

A juíza Jacqueline Rada declarou "não comprovada" a denúncia de Morales contra Zapata, de que ela submeteria a criança à "violência psicológica", ao impedir o contato com seu pai durante vários anos, se é que a criança está realmente viva.

No final da audiência, Zapata e seus defensores informaram sobre a decisão, enquanto o advogado do presidente, Gastón Velásquez, afirmou que apelará, e insistiu que ainda não há provas da existência do menino.

Morales entrou com uma ação contra Zapata no início de março, com o objetivo de forçá-la a apresentar o menor em cinco dias, já que ele achava que a criança tinha morrido logo após nascer, em 2007.

O caso se desenvolve de forma complexa e confusa a ponto de, apesar de a Justiça analisar o assunto em sigilo há mais de dois meses, as partes se contradizerem diária e publicamente.

Zapata disse que seu filho foi apresentado à juíza, mas os advogados de Morales afirmam que esse não era filho dele.

Ontem à noite, Zapata também sustentou que apresentará uma ação para negar a paternidade do presidente, e para isso submeterá seu filho a um teste de DNA.

O advogado Velásquez afirmou que a juíza e o presidente Morales "foram alvo de piadas" de Zapata.

Ele relatou que na audiência a dignidade do líder foi prejudicada porque todos falam dele como "um pai irresponsável, o que é totalmente falso".

Segundo o advogado, Zapata na realidade nunca apresentou a criança no julgamento, nem para que fosse avaliado psicológica e socialmente, e por isso considera haver uma "dúvida razoável" a respeito.

"Houve uma cadeia de falsidade no processo e segundo relatórios não há informações da criança", sustentou Velásquez.

Morales se submeteu a um teste de DNA em 25 abril, mas foi inútil porque Zapata se recusou a fazer o mesmo com a criança.

Em meados de março, Morales pediu à imprensa que "nunca mais" perguntasse sobre esse tema, pelo assunto estar nas mãos da justiça.

O caso explodiu no princípio de fevereiro, quando um jornalista revelou a relação de Morales e Zapata e os acusou de tráfico de influência para favorecer, com contratos milionários, a construtora chinesa Camce, onde ela era gerente comercial.

Parlamentares governistas que investigaram essa denúncia em uma comissão absolveram esta semana o Chefe de Estado das acusações, embora os opositores tenham discordado da decisão.

O caso atingiu a campanha do presidente dias antes do referendo constitucional de 21 de fevereiro, em que ele buscava aprovar uma reforma que o permitisse se candidatar a um quarto mandato em 2019. EFE

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