Dados de 200 mil companhias envolvidas no Panamá Papers serão divulgados

Beatriz Pascual Macías.

Washington, 8 mai (EFE).- O Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ) publicará nesta segunda-feira a base de dados dos Panamá Papers, onde os usuários poderão buscar os nomes das mais de 200 mil companhias, fundações e fundos que fazem parte da investigação.

A organização jornalística, com sede em Washington, publicará a base de dados às 14h (15h em Brasília), disse à Agência Efe a jornalista argentina Marina Walker, subdiretora do ICIJ.

Segundo a organização, que liderou a investigação junto com o jornal alemão "Süddeutsche Zeitung", será "a maior revelação de informação da história sobre companhias secretas e as pessoas que estão por trás delas".

No total, o escândalo abrange mais de 11,5 milhões de documentos do escritório panamenho Mossack Fonseca, especializado na gestão de capitais em paraísos fiscais, e afeta mais de 140 políticos e altos funcionários de todo o planeta, entre eles vários chefes ou ex-chefes de Estado, de governo, e seus familiares.

Walker explicou que o que estará na segunda-feira à disposição do público é uma base de dados na qual aparecerão os nomes das sociedades "offshore" (inscritas em um paraíso fiscal) criadas pelo escritório panamenho Mossack Fonseca para que grandes capitais soneguem impostos.

Também aparecerão os nomes das personalidades envolvidas e os cargos que ocupavam nas sociedades, se eram diretores das companhias ou acionistas, assim como o endereço que a pessoa envolvida ou seu representante deu ao escritório panamenho na hora de criar a sociedade.

Esse endereço facilitará a busca por países e pode corresponder tanto ao domicílio dos envolvidos como com a base da companhia, detalhou Walker.

Os documentos da base de dados se referem a mais de 200 mil companhias, fundações e fundos com sede em 21 paraísos fiscais, "desde Hong Kong até Nevada, nos Estados Unidos", envolvendo pessoas de mais de 200 países e territórios, indicou o Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação.

"A repercussão que a investigação teve foi enorme no mundo todo, inclusive nos Estados Unidos, que antes não tinham tido iniciativas semelhantes de transparência", avaliou Walker.

Sexta-feira o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, anunciou medidas para combater a sonegação fiscal, que vão desde a cobertura de vazios legais em que os sonegadores fiscais se amparam até propostas legislativas para lutar contra a opacidade das empresas inscritas em paraísos fiscais.

Como consequência do escândalo, que explodiu em 3 de abril, o centrista Sigmundur David Gunnlaugsson, primeiro-ministro da Islândia, renunciou, e o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, teve que comparecer na Câmara dos Comuns para dissipar a polêmica surgida pelas ações que teve em um fundo offshore.

"É valioso que essa informação seja pública", considerou Walker, que explicou que a base de dados é só uma parte da extensa investigação, que inclui e-mails, números de telefone e passaportes - que não serão publicados pelo ICIJ por conter informação pessoal.

O escritório Mossack Fonseca pediu na quinta-feira ao consórcio jornalístico que não publique sua base de dados.

"Enviamos hoje uma carta de 'cease and desist' (requerimento de cessação) ao Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação após seu anúncio de que liberaria em 9 de maio a informação extraída de nossa base de dados", indicou na quinta-feira a firma panamenha em comunicado.

Os chamados Panamá Papers são o maior vazamento da história do jornalismo em termos de volume: seus 11,5 milhões de documentos superam amplamente o 1,7 milhão de arquivos que o ex-analista da CIA Edward Snowden divulgou em 2013 sobre a espionagem global da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA.

Os 2,6 terabytes de arquivos do escritório Mossack Fonseca também ofuscam o 1,7 gigabyte ocupado por documentos diplomáticos e militares confidenciais dos Estados Unidos que a soldado Chelsea Manning entregou em 2010 ao portal Wikileaks.

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