Boris Johnson diz que Cameron não conseguiu prometida reforma da UE

Londres, 9 mai (EFE).- O ex-prefeito de Londres, o conservador Boris Johnson, defendeu nesta segunda-feira a saída do Reino Unido da União Europeia (UE), o "Brexit", com o argumento de que o primeiro-ministro, David Cameron, não conseguiu a prometida reforma no bloco comunitário.

Em um esperado discurso em Londres, o também deputado, que é um dos líderes da campanha "Vote para sair" do referendo de 23 de junho, considerou "estranho" que o grupo favorável à permanência, "Reino Unido, mais forte na Europa", insista que a UE foi reformada quando, para ele, isto não aconteceu.

"Devemos deixar de enganar os cidadãos britânicos", afirmou o parlamentar, que advertiu que, uma vez superado o plebiscito britânico, a UE "continuará com seus esforços para construir um país chamado Europa".

Johnson disse que o próprio governo do Reino Unido, que oficialmente defende a permanência na UE, deveria promover a saída, já que a premissa para defender o status quo era a obtenção dessas reformas nas áreas de competitividade, soberania, justiça e imigração.

"Vejam a diferença entre o que nos prometeram e o que obtivemos, o governo deveria, por essa lógica, estar fazendo campanha por sair", declarou Johnson, que lembrou que Cameron afirmou que defenderia o "Brexit" se suas tentativas de repatriar competências fracassassem.

Em áreas como a liberdade de movimento dos trabalhadores, "não conseguimos nada", disse o político "tory" (conservador), potencial candidato a suceder o primeiro-ministro na liderança do Partido Conservador.

Durante o discurso, Johnson pediu a Cameron que especifique como pensa em controlar a imigração comunitária e evitar que a corte europeia de direitos humanos "interfira" em assuntos como imigração, asilo e direitos humanos.

Ele ainda disse estar "a favor da imigração, mas também do controle", e sustentou que é possível ter comércio com a UE sem estar no mercado único e sujeitos às suas normas.

O político pediu aos britânicos que "não desperdicem a oportunidade de uma vida" e votem em 23 de junho por sair da UE, destacando que esta opção não representa, como se insinua, uma mentalidade provinciana, mas de "espíritos liberais".

Ao explicar sua própria evolução e a dos conservadores que o apoiam em sua campanha contra a permanência na UE, Johnson explicou que, primeiro começaram "criticando coisas absurdas" do bloco.

"Depois fizemos campanha pela reforma e depois esperamos com boa vontade os resultados da renegociação do primeiro-ministro, e finalmente nos desesperamos quando vimos que não havia nenhuma reforma", manifestou.

Contradizendo Cameron, Johnson defendeu que "não é a UE" que garante a paz e a estabilidade na Europa, mas a Otan.

Horas antes, o primeiro-ministro tinha advertido que a saída da União Europeia poria em risco "a paz e a estabilidade" na Europa, e prejudicaria a luta contra o terrorismo, gerando mais conflitos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos