Chefe de governo da Áustria, Werner Faymann, renuncia ao cargo

Viena, 9 mai (EFE).- O chanceler federal da Áustria, Werner Faymann, anunciou nesta segunda-feira sua renúncia à chefia de governo e à presidência do Partido Social-Democrata (SPÖ), informou a agência austríaca APA.

A saída de Faymann acontece duas semanas depois do desastre sofrido por seu partido na primeira rodada das eleições presidenciais, vencidas pelo ultranacionalista Norbert Hofer.

O já ex-chanceler informou por telefone sobre sua decisão ao Chefe de Estado, Heinz Fischer, segundo uma porta-voz da presidência.

O vice-chanceler e líder do co-governante Partido Popular (ÖVP), Vizekanzler Reinhold Mitterlehner, assumiu de forma interina as responsabilidades da Chefia de governo, enquanto o prefeito de Viena, Michael Häupol, ocupa a presidência do SPÖ.

Faymann justificou sua decisão pela perda de apoio a sua linha política entre seus correligionários.

"Percebo as consequências deste pouco apoio e deixo minhas funções como presidente do partido e chanceler federal na data de hoje", disse Faymann em uma breve declaração depois de se reunir com os dirigentes regionais de sua formação.

Não se trata, explicou, de quem tem a maioria no partido, mas quem é capaz de enfrentar "os grandes desafios nestes tempos difíceis".

Para ter sucesso na solução desses problemas, é preciso um forte apoio do partido, destacou o político que, com seu SPÖ em coalizão com o democrata-cristão ÖVP, governou a Áustria desde 2008.

"Esse forte apoio se perdeu. A maioria (dos votos dentro do partido) é pouco, mas agradeço a todos os que me sustentaram nestes dias", disse em alusão ao fato de que conta ainda com um apoio majoritário apesar das crescentes críticas das fileiras de seu partido.

Entre os "grandes desafios" que afrontou em seu mandato, lembrou a crise de refugiados da segunda metade do ano passado, quando dezenas de milhares de pessoas que fugiam dos conflitos armados no Oriente Médio, sobretudo da Síria e Afeganistão, chegaram ao território austríaco na busca de asilo na Europa do norte.

"95% continuaram viagem", lembrou Faymann.

De acordo com todos os observadores políticos, a crise dos refugiados foi um fator-chave do aumento da extrema direita e da perda de votos dos dois partidos tradicionais e governantes (SPÖ e ÖVP) em várias eleições regionais e, especialmente, no primeiro turno das presidenciais de 24 de abril.

Ambos ficaram, com pouco mais de 11% dos votos, descartados para o segundo turno, no próximo dia 22, que será disputado entre o ultranacionalista Hofer, que obteve em torno de 35%, e o ecologista Van der Bellen (21%).

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos