Perto de vitórias, Trump e Hillary buscam apoio em primárias de pouco apelo

Miriam Burgués.

Washington, 9 mai (EFE).- O processo de eleições primárias que define os candidatos à presidência dos Estados Unidos terá nesta terça-feira duas etapas de pouco apelo, nos estados de Nebraska e Virgínia Ocidental, mas onde Donald Trump, virtual indicado do Partido Republicano, e Hillary Clinton, favorita para vencer a disputa no Partido Democrata, tentarão somar mais delegados para ficarem mais perto de confirmar as indicações por suas legendas.

Como Trump está sozinho na corrida republicana desde a semana passada, após as desistências de Ted Cruz e John Kasich, e Hillary tem uma vantagem praticamente inalcançável por seu adversário, o senador Bernie Sanders, os resultados de amanhã não são considerados decisivos, e sim mais um passo rumo à ratificação das duas candidaturas.

Os eleitores republicanos irão às urnas em Nebraska, estado que envia 36 delegados à convenção do partido em julho, em Cleveland (Ohio), e também na Virgínia Ocidental, onde estão em jogo outros 34 delegados.

Faltam menos de 200 delegados para Trump obter o total de 1.237 necessário para se transformar oficialmente no candidato republicano. Sem Cruz e Kasich, a única incógnita é sobre quando o empresário alcançará esse número.

Já os democratas só irão às urnas na Virgínia Ocidental, estado que possui 29 delegados habilitados para a convenção do partido também em julho, na Filadélfia.

As pesquisas no estado dão vantagem a Sanders sobre Hillary. Apesar disso, a ex-primeira-dama está perto de obter os 2.383 delegados necessários para se tornar a candidata democrata, graças, em parte, aos chamados "superdelegados", funcionários eleitos do partido que votam na convenção e podem escolher quem irão apoiar.

Prova do pouco interesse despertado pelas primárias de amanhã é o fato de a imprensa americana pouco falar sobre o assunto e estar focada, mais uma vez, nos encontros de Trump com figuras republicanas, como o ex-candidato à presidência e senado John McCain e o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan.

McCain, derrotado por Barack Obama em 2008, afirmou no domingo, em entrevista à "CNN", que seria "estúpido" ignorar os eleitores republicanos que apoiaram maciçamente Trump nas primárias, mas evitou se comprometer a participar de atos de campanha ao lado do empresário, pedindo que ele peça desculpas aos veteranos de guerra.

Em julho do ano passado, Trump chamou McCain, veterano da Guerra do Vietnã, de "perdedor". O senador foi preso e torturado durante o confronto, mas Trump colocou em xeque o fato de o companheiro de partido ser um herói de guerra por ter sido capturado.

"Acho que é importante que Trump expresse seu apreço pelos veteranos, não por John McCain, mas pelos ex-combatentes detidos como prisioneiros de guerra", disse o senador à "CNN".

Ryan, que tinha dito na semana passada que ainda não estava pronto para apoiar Trump, disse hoje, no Congresso, que está disposto a deixar seu cargo de presidente da convenção do partido em julho se o empresário assim desejar.

"Ele (Trump) é o candidato. Vou fazer o que ele quiser", declarou Ryan durante uma entrevista ao "Milkwaukee Journal Sentinel".

Quem mais criticou a declaração de Ryan sobre não estar pronto para apoiar Trump foi a ex-governadora do Alasca, Sarah Palin, candidata à vice-presidência em 2008 e que está desde janeiro desde ano fazendo campanha a favor do empresário.

"A carreira política de Ryan está acabada a menos que ocorra um milagre. Ele faltou com respeito à vontade do povo", ressaltou Palin no domingo à "CNN".

Em um tom mais conciliador e prestes a se reunir com Ryan, encontro que está previsto para ocorrer na quinta-feira, Trump afirmou hoje, também à "CNN", que Palin é um "agente livre" e que ele não tem relação com as declarações da ex-governadora.

Além disso, Trump esclareceu afirmações sobre um possível aumento de impostos para pessoas mais ricas caso ele seja eleito presidente dos EUA em novembro.

"Se aumento os impostos para os ricos, eles ainda vão pagar menos do que pagam agora (...). Não estou falando de incrementos desde o ponto atual. Estou falando de um aumento na minha proposta fiscal", explicou o empresário.

O plano fiscal apresentado por Trump na campanha estabelece um imposto de 25% para as pessoas de rendas mais altas, inferior aos 39,6% determinados pela atual legislação americana.

Trump disse que está aberto a aumentar essa taxa de 25% dentro de futuras negociações com o Congresso para tentar aprovar uma reforma tributária, mas que ela não seria tão alta como a atual.

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