Ex-secretários da Otan e dos EUA advertem para riscos do "Brexit"

Londres, 10 mai (EFE).- Cinco ex-secretários gerais da Otan e 13 antigos secretários de Estado e assessores de Segurança dos Estados Unidos advertiram para os riscos do "Brexit" em artigos publicados nesta terça-feira na imprensa britânica.

Os antigos dirigentes da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) afirmaram no "Daily Telegraph" que seria "muito preocupante" se os britânicos votassem por abandonar a União Europeia no referendo marcado para 23 de junho.

Eles argumentaram que a UE é "um parceiro-chave" do bloco transatlântico, e a cooperação entre eles blocos ajuda a "afastar a instabilidade na região".

"Levando em conta a escala e o alcance das ameaças à paz e à estabilidade que enfrentamos coletivamente, a comunidade euroatlântica precisa de um Reino Unido forte e envolvido", defenderam.

O "Brexit" levaria "a uma perda de influência do Reino Unido, enfraqueceria a Otan e ajudaria os inimigos do Ocidente", exatamente quando se deve cooperar para enfrentar ameaças comuns, assinalaram.

Assinaram a carta Peter Carington, George Robertson, Jaap de Hoop Scheffer, Federico Solana e Anders Fogh Rasmussen, secretários-gerais da Aliança Atlântica entre 1984 e 2014.

O atual secretário-geral, Jens Stoltenberg, também defendeu a permanência do país na UE durante uma recente visita a Londres, quando declarou que "um Reino Unido forte na Europa é algo bom para a segurança".

Em outra carta, publicada no "Times", 13 ex-secretários de Defesa dos Estados Unidos, entre eles Madeleine Albright e o ex-chefe da CIA Leon Panetta, avisaram que o Reino Unido não deve confiar que "a relação especial" que os une aos EUA compensará uma eventual saída da União Europeia.

"A relação especial entre nossos países não compensaria a perda de influência que o Reino Unido sofreria se saísse da UE, uma união de 28 nações com 500 milhões de habitantes, no que é o maior bloco econômico do mundo", escreveram.

Eles advertiram ainda que "a posição de influência (do país) e seu lugar no mundo seriam prejudicados, e Europa se veria perigosamente debilitada".

"Em nosso entorno globalizado, é estratégico ter tamanho e peso para ser ouvido", afirmaram os responsáveis de segurança no artigo, assinada também pelo secretário de Estado durante o governo do presidente Ronald Reagan, George Shultz.

A questão da segurança tem centrado o debate sobre as consequências da saída ou da permanência do Reino Unido na UE.

O primeiro-ministro britânico, o conservador David Cameron, alertou ontem que o "Brexit" poria o país em perigo, o que foi rebatido pelo ex-prefeito de Londres e líder da campanha pela saída, o também "tory" Boris Johnson, que alegou que o único fiador da segurança é a Otan.

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