Itália anuncia moção de confiança para votar lei de uniões homossexuais

Roma, 10 mai (EFE).- O governo da Itália anunciou nesta terça-feira que amanhã submeterá a votação como moção de confiança o projeto de lei sobre uniões homossexuais, decisão que gerou críticas da oposição e da Igreja Católica.

O anúncio da moção foi feito na Câmara dos Deputados pela ministra para as Reformas, Maria Elena Boschi. O texto já sofreu vários atrasos e bloqueios durante sua tramitação parlamentar e agora está na fase final na câmara baixa do parlamento.

Renzi já recorreu a essa estratégia outras vezes e volta a repetir o método para evitar o temido voto secreto e manter compactos seu partido e o governo de coalizão, cujo principal parceiro é o Novo Centro-direita, muito crítico em relação ao projeto legislativo.

A medida também impossibilita que os deputados apresentem propostas ao texto, o que obrigaria uma nova leitura no Senado, adiando mais uma vez sua aprovação.

O anúncio da ministra Boschi na câmara baixa gerou vaias da oposição, inclusive do porta-voz da ultradireitista Liga Norte, Massimiliano Fedriga.

O deputado Maurizio Bianconi, do Conservadores e Reformistas, se mostrou visivelmente irritado já que, segundo afirmou, nem sequer foi autorizado a votar o texto.

O legislador Alfonso Bonafede, do Movimento 5 Estrelas, rotulou de fascista o método de impor uma moção e disse que o governo trata o parlamento como "um tapete no qual limpa os pés".

As críticas também vieram de fora do âmbito político e do secretário-geral da Conferência Episcopal italiana, monsenhor Nunzio Galantino, muito crítico com a reforma, que disse que a moção "representa uma derrota para todos".

Deste modo, os legisladores conservadores e a Igreja Católica voltaram a protestar contra um texto que foi perdendo artigos durante sua passagem pelo parlamento, devido sobretudo à pressão que o Novo Centro-direita exerceu de dentro do governo.

O projeto de lei sobre as uniões civis, ao ser aprovado, legalizará pela primeira vez as uniões civis entre pessoas do mesmo sexo. Em essência contarão com os mesmos deveres e praticamente os mesmos direitos que os casamentos convencionais, exceto que os casais homossexuais não poderão adotar filhos, nem sequer o biológico do companheiro.

Este ponto foi o principal motivo pelo qual o texto permaneceu bloqueado durante meses na Comissão de Justiça do parlamento e o governo optou por eliminá-lo durante a análise no Senado, que aprovou o texto em 25 de fevereiro.

A provável iminência de sua aprovação definitiva, talvez amanhã, foi comemorada pelas organizações LGBT, que veem no projeto de lei um primeiro passo na defesa de seus direitos.

O secretário nacional da organização Arcigay, Gabriele Piazzoni, disse em comunicado que o documento representa "um copo meio vazio", mas ao mesmo tempo reconhece direitos que "muitas pessoas homossexuais esperam há uma vida".

O presidente da Equality, Aurelio Mancuso, disse que compreende o mal-estar gerado por este tipo de método ao legislar, mas declarou que isso representa "uma libertação porque finalmente chega a um resultado, algo finalmente sério".

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