Sem votos contrários, Senado cassa mandato de Delcídio

Brasília, 10 mai (EFE).- O plenário do Senado cassou nesta terça-feira o mandato do ex-líder do governo na Casa, Delcídio do Amaral (sem partido-MS), por quebra de decoro parlamentar, com placar de 74 votos a favor, nenhum contra e uma abstenção.

Com a decisão, que precisava de pelo menos 41 votos favoráveis para ser aprovada, Delcídio tornou-se o terceiro senador na história do país a ser cassado por seus colegas - os outros foram Demóstenes Torres (GO), então do DEM, em 2012, e Luiz Estevão (DF), que era do PMDB, em 2000. Ele não poderá disputar cargos eletivos por oito anos a partir do fim de seu mandato, que terminaria em 2019.

Em novembro do ano passado, Delcídio, então filiado ao PT, foi preso pela Polícia Federal (PF) por tentativa de obstrução das investigações da Operação Lava Jato. Ele foi acusado de oferecer uma "mesada" de R$ 50 mil ao ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró, além de um esquema de fuga para a Espanha, para que ele não fechasse um acordo de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF).

A denúncia foi baseada em uma gravação feita pelo filho de Nestor, Bernardo Cerveró, na qual o parlamentar também prometeu que conversaria com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) para que intercedessem em favor do ex-diretor da estatal.

Delcídio foi solto em fevereiro após firmar um acordo de delação premiada com a Procuradoria Geral da República (PGR). Encurralado, aceitou colaborar com a Justiça, revelar tudo o que sabia do escândalo na Petrobras e denunciar seus cúmplices em troca de reduções de futuras penas.

Em suas declarações aos investigadores, o senador fez graves denúncias contra a presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva. Entre as acusações estão as de chantagens a testemunhas de assuntos de corrupção, financiamento ilegal de campanhas eleitorais, pressionar ministros do STF e de ter conhecimento ou autorizar operações ilegais na Petrobras.

Na declaração incriminatória, de 255 páginas e que apresenta como provas agendas oficiais, listas de chamadas e passagens aéreas, Delcídio denunciou também vários políticos de partidos governistas e de oposição, como o senador Aécio Neves (PSDB-MG) e o vice-presidente Michel Temer (PMDB-SP), que assumirá a presidência em caso de impeachment de Dilma.

O primeiro suplente de Delcídio, o empresário Pedro Chaves dos Santos Filho (PSC-MS), de 75 anos, terá um prazo de 30 dias para ocupar o lugar do titular no Senado.

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