Criação de 3º comando militar aumenta confusão em ofensiva contra EI em Sirte

Trípoli, 11 mai (EFE).- A decisão do antigo governo rebelde em Trípoli de estabelecer seu próprio centro de comando militar acrescentou mais confusão à ofensiva anunciada pelo chamado governo de união nacional da Líbia para livrar Sirte, sob controle do ramo líbio do grupo jihadista Estado Islâmico há um ano.

Com o anúncio do gabinete liderado por Khalifa Ghwell, agora são três os "centros de operações" que se preparam de forma descoordenada para um ataque à cidade, de onde milhares de civis fugiram nos últimos dias.

Além das tropas sob o comando da antiga autoridade em Trípoli, considerada rebelde pela comunidade internacional, às portas da cidade operam os centros de comando dirigidos pelo próprio governo de unidade e pelo general Khalifa Hafter, chefe do exército regular ligado ao parlamento em Tobruk.

O primeiro, formado por seis oficiais, coordena a frente ocidental e só recebe ordenes de Fayez el Serraj, responsável pelo gabinete de unidade e do Conselho Presidencial designado pela ONU.

Sob sua égide se alinham diversas milícias em Trípoli, forças da cidade de Misrata e a nova guarda presidencial, cujo decreto de criação foi publicado ontem.

Estas forças já combateram na semana passada comandos jihadistas na área de Abu Grein, na metade do caminho entre Sirte e a cidade de Misrata.

À frente deste está sob controle das forças de Hafter, apoiadas pela milícia de elite "Saika" e grupos armados do Chade e do Sudão, explicaram à Agência Efe fontes de Segurança da cidade vizinha de Ajdbiya.

Hafter, membro da cúpula golpista que ajudou a colocar o ditador Muammar Kadafi no poder, e que anos depois, cooptado pela CIA, se transformou em seu principal opositor no exílio, enviou seus homens à cidade de Maradah, na rota que liga Sirte à cidade de Bengazi.

Junto deles, também se prepara por conta própria o senhor da guerra Ibrahim Yidran, chefe da força autônoma que defende as instalações portuárias petrolíferas de Ras Lanuf e Sidra, as maiores do país.

Hafter, que é apoiado militar e financeiramente pela Arábia Saudita e pelo Egito, mas também pela CIA, é inimigo tanto de Yidran como do governo de unidade, a quem não reconhece.

O governo de unidade líbio anunciou no final de abril que prepara uma ofensiva para liberar Sirte, sob controle jihadista desde junho de 2015, e pediu a todas as forças do país que passem por cima de suas diferenças para se somarem à essa ofensiva sem buscar benefícios políticos próprios.

Analistas advertiram, no entanto, que a falta de coordenação e os interesses divergentes dos grupos ameaçam essa ofensiva e podem abrir um novo episódio na atual guerra civil líbia.

A descoordenação também favorece os jihadistas, que já começaram a lançar ataques na frente oeste e a buscar aliados no leste, onde prometeram às tribos uma anistia geral aos que se somarem à sua causa.

Na segunda-feira, o braço de propaganda do ramo líbio do EI garantiu que suas tropas tinham conquistado três pequenas localidades no caminho de Misrata, e advertiram que seu objetivo é celebrar nessa cidade o mês do Ramadã, que começa em junho.

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