Extrema direita indiana invoca Shiva e deus macaco para ajudar Trump

Nova Délhi, 11 mai (EFE).- O virtual candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, contará com um pouco de ajuda divina extra em seu caminho rumo à Casa Branca, se é que as orações feitas nesta quarta-feira pelos membros do ultradireitista partido Hindu Sena foram ouvidas por Shiva e pelo deus macaco Hanuman.

Cerca de uma dúzia de seguidores do partido extremista, profundamente anti-muçulmano, se concentraram no manifestódromo de Jantar Mantar, em Nova Délhi, para participar de um "hawan", a cerimônia de boa sorte, e deixar clara sua preferência sobre quem deve ser o próximo presidente dos Estados Unidos.

"A esperança da humanidade contra o terror do islã", se lia em uma grande cartaz estendido na rua com a imagem do magnata americano, enquanto os presentes oravam e cantavam mantras para os deuses hindus, para que deem uma 'mãozinha' ao controvertido pré-candidato conservador americano na disputa eleitoral.

E para não dar margem a nenhuma dúvida sobre a afinidade espiritual com o empresário, a fotografia de Trump foi marcada com um "bindu" vermelho, o tradicional ponto que se coloca na testa como símbolo de paz e harmonia.

"Gostamos dos comentários de Donald Trump contra o terrorismo islâmico", disse à Agência Efe o presidente do Hindu Sena, Vishnu Gupta.

"Fazemos isto para salvar a humanidade do terrorismo islâmico, que é um câncer, é importante extirpá-lo", declarou Gupta.

Trump se referiu à Índia várias vezes durante a campanha, embora no país ainda não saibam muito bem o que achar.

Por um lado, ele atacou a mudança e a subcontratação por empresas americanas de atividades no país asiático, a quem acusou de "levar o trabalho dos EUA" e, por outro, disse que a Índia está indo "muito bem".

O magnata também foi polindo sua posição sobre os milhares de estudantes indianos que estudam nos Estados Unidos. De acusá-los de serem "trabalhadores temporários importados do exterior que tiravam empregos dos americanos", Trump passou a defendê-los dizendo que são "muito inteligentes" e necessários para o país.

"Gostemos ou não, eles pagam", indicou em uma entrevista ao canal de televisão "Fox", ao assinalar que os EUA formam gente "muito inteligente".

Mas o que mais agradou os ouvidos dos mais radicais na Índia foram os comentários de Trump contra o Paquistão.

Ele disse que o Paquistão é um "problema", que faz jogo duplo com os EUA, e recentemente afirmou que se for presidente, diria a Islamabad para libertar o médico que ajudou a capturar Bin Laden e que ainda cumpre uma condenação de prisão, o que disse que conseguiria em "dois minutos".

O Paquistão respondeu chamando Trump de "ignorante".

A manifestação de hoje não é o primeiro apoio da direita indiana ao controvertido empresário. Membros da comunidade indiana nos Estados Unidos abriram uma conta no Twitter, @USAHindus4Trump, em apoio à candidatura de Trump.

Hindu Sena e outras formações da extrema direita hindu fizeram do ataque à comunidade muçulmana e da exacerbação da tradição hinduísta um veículo de proselitismo político para captar adeptos.

"Trump é anti-islâmico. Qualquer um que for anti-islâmico, Hindu Sena estará com ele", disse à Efe o coordenador nacional do partido, Prem Nath.

Gupta reconheceu que não tem nenhum contato com Trump ou com o partido republicano. "Mas se for ao Twitter, verá que os seguidores de Trump estão me apoiando e retuitando minhas mensagens", se gabou. EFE

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(foto)

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