Cepal diz que saída de Dilma é "dolorosa" e pede manutenção de ajudas sociais

Santiago, 12 mai (EFE).- A secretária executiva da Comissão Econômica Para a América Latina e o Caribe (Cepal), Alicia Bárcena, disse nesta quinta-feira à Agência Efe que a decisão do Senado brasileiro de abrir um julgamento político da presidente Dilma Rousseff é "dolorosa" e manifestou seu desejo de que o governo interino consiga reordenar a enfraquecida economia sem cair em retrocessos sociais.

"O Brasil está tomando uma decisão política institucional dolorosa. É complexa, difícil de compreender para quem não a está vivendo diretamente", afirmou.

Bárcena destacou que durante os mandatos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff o país teve avanços sociais "civilizatórios" que serviram de exemplo para toda a América Latina.

"Tomara que o ordenamento de sua economia, que acredito que é o que virá em seguida, seja feito sem retrocessos sociais", disse Bárcena, que lembrou que as crises econômicas prévias na região mostraram que o tecido social demora muito mais tempo para se recuperar do que os indicadores macroeconômicos.

A secretária executiva da Cepal comentou que a missão de superar a crise econômica, que será liderada pelo presidente interino, Michel Temer, será especialmente complicada por diversas razões.

Uma delas é a existência de uma lei, que Dilma estava tentando modificar no Congresso, que impede que as empresas investigadas por corrupção, como a Petrobras, continuem funcionando enquanto avançam as investigações.

Segundo cálculos da Cepal, esta lei motivou a queda de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB) no ano passado, que registrou contração de 3,8%.

"Dilma estava apresentando uma lei para adotar o que acontece na cultura anglo-saxã, que quando há uma empresa investigada, o diretor é sancionado e se permite que ela continue trabalhando", explicou Bárcena.

"Essa lei tem que passar, se Michel Temer conseguir, pode haver novamente uma dinâmica na economia", acrescentou.

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