Dilma é recebida por militantes na saída do Palácio do Planalto

Brasília, 12 mai (EFE).- A presidente suspensa Dilma Rousseff foi recebida nesta quinta-feira por milhares de seguidores ao abandonar o Palácio do Planato, após ser notificada da abertura do julgamento de impeachment pelo Senado, que prevê o afastamento dela do cargo por até 180 dias.

"Dilma, guerreira da pátria brasileira", cantavam os cerca de três mil militantes do PT e de movimentos sociais que apoiavam seu governo e que se concentraram em frente ao Planalto, aos quais ela se juntou.

Dilma evitou sair do Palácio pela rampa por onde geralmente saem os presidentes que entregam o cargo, uma forma de evidenciar, como disse em um pronunciamento anterior, que continuará lutando para voltar à presidência.

Ela foi recebida por alguns de seus ministros e colaboradores mais próximos, entre eles o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e se aproximou para saudar seus simpatizantes, a grande maioria vestida de vermelho.

Ao contrário da presidente, que só durante alguns minutos deixou transparecer sua tristeza, Lula não escondia seu abatimento e se manteve em um longo silêncio e em um discreto segundo plano.

Antes de se despedir seus seguidores, Dilma reiterou em qualificar o processo que a suspendeu de golpe, e agradeceu o apoio dos movimentos sociais, dos sindicatos e dos grupos populares.

"Um abraço e um beijos para vocês", gritou para os militantes, que responderam com coros a favor de Dilma e Lula e contra o chamado "golpe".

A presidente reconheceu que a presença dos militantes a ajudou a superar um "dia muito triste" para ela e para a democracia brasileira.

"A tristeza é por viver uma hora negra para o país. A jovem democracia brasileira está sendo alvo de um golpe. E chamo esse processo de golpe porque o impeachment sem um crime de responsabilidade que o justifique é um golpe", afirmou.

"Eu não cometi crime de responsabilidade e estou sendo vítima de uma grande injustiça", acrescentou.

Dilma atribuiu o processo aos partidos derrotados nas eleições de 2014 que, disse, optaram por chegar ao poder "pela força" após fracassarem nas urnas.

Ela advertiu que, com a decisão do Senado, está em jogo a democracia brasileira e as conquistas sociais alcançadas pelo Brasil desde que o PT assumiu o poder, há 13 anos, primeiro com Lula e depois com ela.

O governo interino presidido por Michel Temer, denunciou Dilma, não só tentará eliminar ou reduzir as políticas sociais promovidas pelo PT, mas também reprimir os movimentos sociais que defendem melhoras nas condições de vida da população.

"Meu governo jamais reprimiu movimentos sociais, jamais reprimiu manifestações políticas, inclusive as realizadas contra mim. Agora corremos o risco de que um governo ilegítimo, como outros governos desse tipo, caia na tentação de reprimir os protestos, de reprimir as reivindicações", afirmou.

Antes de se reunir com a militância, Dilma recebeu a notificação que oficializou a decisão do Senado de iniciar o julgamento do impeachment.

O senador que entregou a notificação, Vicentinho Alves, entregou outra pouco depois ao vice-presidente Michel Temer para informá-lo que deveria assumir interinamente a presidência.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos