Dilma mantém serenidade e caminha ao lado de aliados em sua despedida

Alba Santandreu.

Brasília, 12 mai (EFE).- A presidente Dilma Rousseff manteve a serenidade nesta quinta-feira depois que o Senado decidiu afastá-la de seu cargo e caminhou ao lado de vários aliados, junto ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em uma calorosa despedida que ela se recusa a admitir.

"Meu mandato termina em dezembro de 2018", voltou a repetir durante um pronunciamento no Palácio do Planalto, o mesmo que hoje abandonará para abrir passagem a seu vice-presidente, adversário político e agora sucessor, Michel Temer.

Vestida de branco e aparentando cansaço, Dilma fez um pronunciamento à imprensa horas depois que o Senado decidiu, após uma sessão que durou mais de 20 horas, abrir um julgamento político que pode cassar seu mandato.

Acompanhada por seus ministros e seus mais fiéis escudeiros, Dilma se conteve durante seu pronunciamento, mas seus olhos marejaram quando assegurou ser capaz "de defender seus ideais" apesar de estar "marcada pelo tempo".

Golpeada politicamente, a presidente pareceu escutar as palavras de seu mentor político, Lula, que sempre insistiu e lhe estimulou em seus discursos a "unir-se ao povo", sobretudo nos momentos mais difíceis.

A presidente tirou a couraça que a acompanha, desceu do púlpito e cumprimentou as centenas de pessoas, a maioria mulheres, que a esperavam às portas do palácio ao grito de "Dilma guerreira da pátria brasileira".

Dilma tocou cabeças, deu beijos, abraços e distribuiu flores entre seus defensores, em número notavelmente menor que os que, em 2011 se despediram de Lula.

A chefe de Estado se manteve firme, mas seu antecessor mostrou um semblante cabisbaixo, o do padrinho que vê sua afilhada perder um mandato e o do político que hoje ficou sem o cargo de ministro que Dilma tinha lhe concedido meses antes.

Enquanto no interior do Palácio do Planalto a segurança se preparava para a chegada do novo inquilino, os manifestantes clamavam nas portas do edifício contra o agora presidente interino.

"Nós não reconhecemos o governo de Temer. Dilma continua sendo a presidente eleita democraticamente pelo povo", afirmou à Agência Efe Maria das Neves, que viajou de São Paulo a Brasília para expressar sua solidariedade a Dilma e denunciar o processo legislativo que qualificou de "golpe".

Para Maria das Neves, o projeto de Temer está ancorado no "passado" e é "inimigo das mulheres", por ser "conservador, machista e inimigo das políticas públicas".

Kátia Garcia, professora do sistema penitenciário de Brasília, também suportou os mais de 30 graus na capital federal para clamar contra o que considerou uma "injustiça" e uma "ruptura da Constituição".

"Não há forma de aceitar o golpe. Como vou chegar a meus alunos que estão presos e explicar-lhes que acabaram de acusar uma mulher inocente", se questionou.

Dilma será substituída durante um período de 180 dias por Temer, que concluirá o mandato que termina em 1º de janeiro de 2019 se a presidente finalmente for destituída no julgamento político.

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