Mercado recebe anúncio de gabinete de Michel Temer com cautela

Alba Gil.

São Paulo, 12 mai (EFE).- O mercado recebeu com cautela nesta quinta-feira o novo gabinete anunciado pelo presidente interino Michel Temer, que a partir desta quinta-feira substitui Dilma Rousseff, suspensa de seu cargo depois que o Senado determinou a abertura de um julgamento político que pode cassar seu mandato.

A bolsa de São Paulo subiu 0,9% no fim do pregão e seu índice Ibovespa se situou em 53.241 pontos, um avanço significativo após uma intensa jornada de volatilidade, mas comedido em relação ao cenário que os analistas vinham desenhando.

No mercado de câmbio, o real se desvalorizou 0,69% frente ao dólar, moeda que terminou o dia negociada a R$ 3,471 para a compra e R$ 3,473 para a venda.

Os investidores reagiram de forma positiva à interrupção temporária do governo de Dilma, que vinham reivindicando há tempo com sucessivas escaladas cada vez que este estava mais perto do julgamento e com baixas quando parecia evitar o processo, e celebraram a posse de Temer, que promete um giro à direita.

No entanto, tal como explicou à Agência Efe o analista Celso Plácido, da corredora XP Investimentos, a alegria não levou a uma disparada da bolsa porque "a expectativa era que houvesse mais nomes técnicos e não tão políticos".

De acordo com o especialista, o mercado não se entusiasmou porque sabia com antecedência quem seriam os titulares da Fazenda e do Banco Central, os dois cargos que mais atraíam a atenção dos investidores.

Um dos principais nomes da nova equipe de governo é precisamente Henrique Meirelles, que comandará o Ministério da Fazenda e que, graças a sua carreira em Wall Street e sua trajetória como banqueiro ortodoxo, conta com o beneplácito do mercado, apesar de que este "teria preferido alguém inclusive mais técnico", segundo Plácido.

Outro dos nomes que iluminou os olhos dos investidores é o de Ilan Goldfajn, economista-chefe do Itaú Unibanco, a maior entidade privada do país, que passará a comandar o Banco Central, que o novo presidente deixou sem status de ministério.

"O mercado e Temer estão vivendo uma lua-de-mel e agora a grande expectativa é se a equipe de governo poderá aprovar as reformas, quais e quando", acrescentou o economista.

Neste sentido, ressaltou que a atitude do círculo dependerá do tipo de cortes efetuados pelo Executivo, se respeita o orçamento e, sobretudo, o cronograma que pretende seguir.

"Agora o mercado espera que Temer ponha mãos à obra", comentou.

Por ora, o primeiro discurso pronunciado pelo presidente interino teve um forte tom econômico.

Perante um auditório repleto de políticos até agora estavam na oposição, prometeu recuperar com urgência "o crescimento" e a "imagem e credibilidade do Brasil" para que "os empresários e os trabalhadores se entusiasmem e se retome a segurança dos investimentos".

Também propôs "incentivar de forma significativa as sociedades público-privadas" e "melhorar o ambiente de negócios para o setor privado".

À luz da declaração de intenções de Temer e na opinião do diretor de operações da FN Capital, Paulo Figueiredo, o mercado reagiu "bem" aos primeiros movimentos de Temer.

No entanto, o economista também insistiu na importância que os acionistas darão à "velocidade" com que se implementem as reformas.

"É extremamente necessário que se faça rápido e que surta efeito rápido. Achamos que o ajuste fiscal deve ser prioridade para o governo para poder retomar a confiança e a credibilidade", salientou.

Contudo, Figueiredo assegurou que a volatilidade continuará nos próximos dias, arrastada pela incerteza sobre quais serão as iniciativas econômicas prioritárias e quando serão implementadas.

No mundo empresarial, uma das poucas patronais que já reagiu ao novo governo foi a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), cujo presidente Murilo Portugal emitiu um comunicado no qual manifestou seu apoio para "colaborar" com o novo Executivo.

O grêmio disse também que a chegada de Temer à presidência vem acompanhada de "expectativas positivas de que enfrentará os problemas do país" e tem "capacidade de superar os desafios econômicos".

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