Retirada de leilão arma com que ex-vigia matou jovem afrodescendente

Miami, 12 mai (EFE).- O leilão através da qual o ex-vigia voluntário George Zimmerman pretendia vender nesta quinta-feira a arma com a qual em 2012 matou o adolescente afro-americano desarmado Trayvon Martin na Flórida (EUA) foi suspenso.

"Sentimos muito, mas o artigo que solicitou não está no sistema", diz o portal GunBroker.com ao se procurar o leilão desta arma, que Zimmerman assegurava que era uma "oportunidade de possuir uma peça da história americana".

Ainda não se sabe os motivos que levaram este portal a tirar o leilão de seu sistema e as contas do GunBroker nas redes sociais foram canceladas ou se restringiram a acesso privado, segundo veículos de imprensa locais.

"A arma de fogo à venda é a pistola que utilizei para defender minha vida e pôr fim ao brutal ataque de Trayvon Martin", informou na descrição do objeto Zimmerman.

O ex-vigilante voluntário foi absolvido em julho de 2013 da morte de Martin porque o júri popular do tribunal de Sanford (Flórida), onde ocorreu o fato, aceitou a tese de que Zimmerman tinha atuado em defesa própria.

A morte do adolescente afro-americano e a posterior absolvição de Zimmerman foi o primeiro de uma série de episódios que avivaram o debate nacional sobre as relações raciais nos Estados Unidos, como a morte do jovem negro Michael Brown por um policial branco na cidade de Ferguson, no Missouri.

Na descrição da arma se assegura que muitos expressaram seu interesse em possuí-la e exibi-la, incluindo o Museu Smithsonian.

Após a repercussão gerada pela notícia, o museu emitiu um comunicado no qual rejeitou o suposto interesse pela arma.

"Nunca expressamos interesse em comprar a arma de fogo de George Zimmerman, e não temos planos para fazê-lo ou mostrá-la em algum museu", afirmou a instituição.

Zimmerman explica que a arma, uma Kel-Tec PF-9 de 9 mm, ainda tem escrito à mão o número do caso da morte de Martin e que, após ter sido devolvida a ele recentemente pelo Departamento de Justiça, se encontra "completamente operacional".

O leilão, que estava previsto para começar às 11h (horário local, 12h em Brasília), tinha preço inicial de US$ 5.000.

Após saber da notícia do leilão, a Fundação Trayvon Martin enviou um comunicado ao canal de televisão "FOX 51" em Orlando no qual rejeita fazer comentários sobre as iniciativas de Zimmerman, mas assegura que continua comprometida em sua "missão de pôr fim à violência armada sem sentido nos Estados Unidos".

Daryl D. Parks, um dos advogados da família, disse ao "Washington Post" que o leilão era um "insulto" para os familiares e amigos do menor, pois se "tenta vender uma arma de fogo que tirou a vida de um menino e agora (Zimmerman) quer fazer dinheiro com isso".

Zimmerman, envolvido em várias polêmicas desde que foi absolvido, já conseguiu vender desde então vários objetos, como cópias de um quadro seu com a bandeira confederada, que durante a Guerra Civil americana foi o símbolo dos estados do Sul que defendiam a escravidão.

Segundo o ex-vigia voluntário seu quadro anterior, um óleo com a bandeira americana e com as palavras escritas "Deus, uma nação com liberdade e justiça para todos", foi vendido pela internet por mais de US$ 100 mil.

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