Senado aprova afastamento de Dilma por até 180 dias

Brasília, 12 mai (EFE).- O Senado aprovou nesta quinta-feira o afastamento da presidente Dilma Rousseff por até 180 dias, período máximo para a conclusão do julgamento político ao qual ela será submetida na Casa e durante o qual ela será substituída na chefia do governo pelo vice-presidente Michel Temer.

Em votação que aconteceu após uma sessão contínua de 20 horas e meia de duração, 55 senadores dos 78 presentes de um total de 81 se pronunciaram a favor do julgamento político e 22 votaram contra. O presidente do Senado, Renan Calheiros, não votou, e dois parlamentares estiveram ausentes - Jader Barbalho (PMDB-PA) e Eduardo Braga (PMDB-AM). O senador restante seria Delcídio do Amaral, que teve o mandato cassado.

Para a admissibilidade do julgamento político de Dilma, era necessária a aprovação em plenário por maioria simples. Chama a atenção, no entanto, que o resultado ultrapassou o mínimo da maioria qualificada - de dois terços, ou 54 dos 81 senadores - que será necessária no julgamento para a cassação definitiva da presidente no final do processo.

O Senado deve comunicar a decisão ainda hoje a Dilma, que anunciou que pretende realizar um pronunciamento por volta das 10h antes de deixar o Palácio do Planalto.

Michel Temer, que vai substituí-la de forma interina, deve apresentar também nesta quinta seu ministério e antecipou que já o tinha definido "quase" totalmente.

As acusações contra Dilma se fundamentam nas chamadas "pedaladas fiscais", manobras irregulares nas quais o governo incorreu em 2014 e 2015 a fim de maquiar seus resultados, que incluíram a omissão de gigantescas dívidas com os bancos públicos.

A senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR) argumentou que as manobras fiscais não são motivo suficiente para o impeachment e disse que isto seria equivalente a "penalizar com pena de morte uma infração de trânsito".

No entanto, muitos dos senadores que votaram a favor alegaram outros motivos, como o gigantesco caso de corrupção na Petrobras, a grave crise econômica pela qual o país passa ou por Dilma ter descumprido suas promessas de campanha.

Em seu pronunciamento final no plenário, o relator do processo no Senado, Antonio Anastasia (PSDB-MG), reiterou que "há indícios suficientes para a abertura do processo".

O advogado-geral da União, José Eduardo Cardozo, também insistiu em seus argumentos de que o impeachment carece de base legal e é um "golpe".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos