Temer assume presidência com desafio de recuperar economia em recessão

Alba Santandreu.

Brasília, 12 mai (EFE).- Michel Temer assumiu nesta quinta-feira a presidência do Brasil após a decisão do Senado de afastar Dilma Rousseff e terá o desafio de terminar deveres deixados pela agora presidente afastada, entre eles o desafio de levantar uma economia em queda livre.

Na lista de tarefas imprescindíveis, Temer deverá recuperar a confiança dos investidores e dos mercados financeiros, desencantados com a política pouco ortodoxa implementada por Dilma, afastada hoje do cargo após o Senado votar a favor do início do julgamento político que pode levá-la ao impeachment.

Como presidente interino, Temer tomará as rédeas de um país com uma economia totalmente nocauteada, que no ano passado sofreu contração de 3,8% e que pode encolher outros 3% em 2016, o que seria a pior recessão do país desde a década de 30.

Temer assume uma herança maldita em questão de números, especialmente nas contas públicas do país, que em 2015 registraram déficit fiscal primário de R$ 111,249 bilhões.

O governo esperava para este ano uma conta negativa de perto de R$ 100 bilhões, o que significaria o terceiro ano consecutivo no vermelho e um agravamento da dívida pública, que está em cerca de 67% do PIB.

Para restaurar a saúde das finanças, Temer se comprometeu a aplicar um ajuste fiscal, o que Dilma tentou realizar sem sucesso, barrada pela forte oposição que encontrou no Congresso e em suas próprias bases.

Temer pode delegar essa missão a Henrique Meirelles, presidente do Banco Central durante o governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e um experiente ex-banqueiro de Wall Street que conta com a aprovação do mercado financeiro.

O eixo central do pacote de austeridade passará pela redução dos gastos públicos, começando pelo corte no número de ministérios, conforme anteciparam legisladores próximos a Temer.

Para engrossar as contas, não se descarta recorrer às privatizações de "tudo o que for possível" em matéria de infraestrutura, como foi antecipado recentemente em um documento intitulado "Travessia social" e que contou com o sinal verde de Temer.

Outro de seus cavalos de batalha será a reforma do sistema previdenciário, uma proposta que a própria Dilma tentou apresentar ao Congresso, mas que contou com forte resistência de seu próprio partido.

Na lista dos assuntos pendentes em matéria econômica também está o combate à inflação, que em 2015 foi de 10,67%, a maior dos últimos 13 anos, mas que já começou a desacelerar este ano.

A alta dos preços afetou o consumo das famílias, que durante anos foi um dos motores que fizeram girar a roda econômica do país, o que fez as autoridades monetárias decidirem elevar fortemente os juros.

Como um círculo vicioso, o arrefecimento da economia e a incerteza política provocaram a alta do desemprego, que atingiu 11,1 milhões de pessoas entre a população economicamente ativa.

Mas o sucesso de Temer não depende só da gestão econômica, e sim das peças que serão movimentadas em um tabuleiro político recheado de corrupção.

Para levar adiante esses projetos, Temer precisará tecer fortes alianças parlamentares, questão fez Dilma perder o rumo de seu governo e a jogou no abismo político em que está agora.

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