Trump e liderança republicana dão primeiro passo rumo à aproximação

Raquel Godos.

Washington, 12 mai (EFE).- O virtual indicado republicano às eleições dos Estados Unidos, Donald Trump, se aproximou da liderança do partido ao se reunir com o presidente da Câmara dos Representantes, Paul Ryan, com quem teve um encontro "muito produtivo", mas que ainda se mantém reticente a apoiar o magnata oficialmente.

Trump e Ryan se reuniram na sede do Comitê Nacional Republicano (RNC) durante 45 minutos, com o objetivo de encontrar pontos em comum para trabalhar na "unificação" do partido, muito dividido devido à vitória do multimilionário nas eleições primárias.

Ryan, que ocupa o terceiro cargo político mais importante nos EUA - após o presidente e o vice -, disse na semana passada "ainda não estar preparado" para oferecer apoio a Trump, uma recusa que evidenciou ainda mais os problemas dos republicanos para chegarem como uma força unida nas eleições de novembro.

Em comunicado conjunto, ambos qualificaram a reunião como "positiva" para avançar rumo à "unificação", mas também reconheceram "as diferenças" existentes entre os dois.

"Acredito que plantamos as sementes para estreitar as diferenças", analisou Ryan em entrevista coletiva posterior, na qual admitiu que Trump devolveu ao partido um nicho eleitoral perdido há décadas.

"Alcançou mais votos que nenhum outro indicado republicano na história de nosso país", disse o líder da Câmara dos Representantes, que não quis ceder e oferecer apoio oficial ao magnata.

Ryan, maior representante do aparelho do partido, ressaltou que as diferenças com Trump "não podem ser solucionadas em um encontro de 45 minutos", mas se mostrou otimista por estar de acordo "nos princípios fundamentais conservadores" como a defesa da Constituição, um governo menos intervencionista e a defesa da vida.

"É muito importante que não tenhamos uma unidade (de partido) fingida, que não finjamos estar de acordo", acrescentou o líder republicano, que reconheceu que estas primárias foram um dos períodos eleitorais mais divisórios entre os conservadores.

Trump e Ryan também chegaram a outro ponto fundamental de união: "impedir" que a favorita entre os democratas, Hillary Clinton, alcance a presidência.

O magnata se limitou a publicar alguns comentários na rede social Twitter, onde disse que o dia tinha sido "magnífico", assim como as reuniões com os congressistas.

O encontro causou muita expectativa midiática e atraiu dezenas de manifestantes às portas do RNC, principalmente imigrantes, para protestar contra as políticas defendidas pelo multimilionário, como proibir a entrada temporária de muçulmanos aos EUA para combater o terrorismo jihadista e a construção de um muro na fronteira com o México para frear a imigração ilegal.

A inscrição "RIP GOP" (Descansem em Paz os Conservadores) podia ser lida em alguns cartazes que advertiam os republicanos sobre a decisão de apoiar um candidato como Trump, que usou discursos xenóbofos, misóginos e racistas durante a campanha.

Após se reunir com o líder da Câmara dos Representantes, o magnata realizou reunião similar com a liderança republicana do Senado, onde ainda encontra empecilhos entre os senadores conservadores, mas conta com o apoio do líder, Mitch McConnell.

Harry Reid, o líder da minoria democrata, foi muito crítico em relação ao colega republicano no plenário do Senado.

"Quando se reúnirem, podem falar sobre suas políticas anti-mulher. Já que o senador McConnell está aceitando Trump com entusiasmo, só podemos supor que concorda com a opinião de Trump que as mulheres são 'cadelas'. Só podemos supor que o líder republicano não sente rejeição pela atitude de Trump em relação às mulheres", disse Reid.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, considerou nesta quinta-feira que o encontro entre Ryan e o magnata só evidencia que "os republicanos estão mais preocupados com as eleições do que em solucionar as necessidades dos americanos".

Earnest argumentou que a liderança do Partido Republicano quer que Trump aceite sua agenda política, mas eles próprios "não estão fazendo nada" para implementá-la.

O porta-voz citou como exemplo dessa situação a recusa dos conservadores a aprovar recursos para combater o vírus da zika ou para reduzir a crise econômica de Porto Rico.

Um exemplo das dificuldades enfrentadas por Trump no Senado entre seus correligionários foi dado nesta quarta-feira pelo senador republicano por Utah, Mike Lee, que garantiu que não apoiará o magnata e que seus ideias políticas "o assustam até a morte".

Muitos legisladores republicanos disputam a reeleição para manter suas cadeiras em novembro, no mesmo período das eleições presidenciais, e temem que apoiar ao magnata e suas propostas radicais os façam perder seus assentos, principalmente nos estados onde as minorias atacadas por Trump têm grande peso demográfico.

Mas o virtual indicado republicano não tem obstáculos apenas entre os membros do Capitólio. Trump também não conta com o apoio dos ex-presidentes Bush, tanto pai como filho, e nem do último candidato do partido à presidência do país, o ex-governador de Massachusetts Mitt Romney.

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