Trump está prestes a conhecer alguns dos principais segredos dos EUA

Raquel Godos.

Washington, 12 mai (EFE).- A virtual indicação de Donald Trump como candidato republicano à Presidência dos Estados Unidos dá a oportunidade de o empresário conhecer alguns dos segredos do país, como é habitual no processo eleitoral, uma situação que levantou suspeitas sobre como ele usará essas informações.

A Casa Branca confirmou que as agências de inteligência americanas entregarão um relatório confidencial ao empresário depois que o Partido Republicano confirmar formalmente o nome de Trump na convenção de julho, uma tradição que é mantida desde 1952 para os candidatos de ambas as legendas.

Apesar de se tratar de um ciclo eleitoral atípico, no qual a vitória de Trump foi uma surpresa para a grande maioria, a decisão de repassar esse tipo de informação aos candidatos foi mantida.

No entanto, a retória incendiária utilizada pelo empresário ao longo das eleições primárias, sem papas na língua ao fazer afirmações graves como chamar os mexicanos de "estupradores" e "crimososos", levanta suspeitas sobre o que Trump fará com essas informações altamente secretas.

O porta-voz da Casa Branca, Josh Earnest, foi perguntado sobre o quão preocupado está o presidente do país, Barack Obama, sobre o fato de Trump receber dados sigilosos. "Essas são avaliações que terão que ser feitas pelos nossos serviços de inteligência, e o presidente tem plena confiança na capacidade de nossos profissionais", respondeu.

Earnest citou os comentários feitos à imprensa pelo diretor da Inteligência Nacional, James R. Clapper, que disse que o governo Obama pretende seguir com a prática de repassar um relatório aos candidatos dos dois principais partidos durante o período eleitoral.

"Já estabelecemos um plano para informar ambos os candidatos quando forem nomeados. E certamente após novembro, quando o novo presidente for conhecido, isso será feito com maior intensidade. Já temos uma equipe formada para fazer isso. Designamos quem liderará o processo, que não foi escolhido por um ponto de vista político", explicou Clapper.

O próprio diretor da Inteligência Nacional esclareceu que ele e outros funcionários da gestão Obama não estarão envolvidos nessa transição para garantir que "todos recebam a mesma informação e que ela se ajuste às necessidades de proteção das fontes e aos métodos para cumprir com as normas de segurança".

Trump se disse ansioso em uma entrevista ao jornal "The Washington Post" sobre começar a receber periodicamente relatórios de informações da inteligência americana, mas se equivocou ao usar o plural, já que, enquanto pré-candidato, ele receberá apenas um documento com dados altamente sigilosos.

Michael Leiter, ex-diretor do Centro Nacional Antiterrrosita, foi quem informou Obama quando o atual presidente se tornou o candidato democrata em 2008. Em entrevista ao jornal "The New York Times", Leiter afirmou que o processo fornece uma quantidade significativa de informações importantes e sensíveis aos aspirantes à Casa Branca.

"Não se trata de dar uma atualização sobre os temas do dia, mas sim um desenho de todos os assuntos que eles vão enfrentar: o bom, o mal e o feio do que é visto no mundo, além das consequências que podem haver para o futuro", explicou.

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