Divisões frearão ordenação de mulheres como diáconos, diz cardeal alemão

Cidade do Vaticano, 13 mai (EFE).- O cardeal alemão Walter Kasper afirmou que será muito difícil chegar a ordenar mulheres como diáconos, o que as permitira celebrar batismos e casamentos, devido as enormes divisões entre os representantes da Igreja Católica sobre este tema.

Em várias entrevistas publicadas nesta sexta-feira o cardeal, conhecido por ser moderado, chegou a afirmar que haverá "uma discussão feroz", depois de o papa Francisco anunciar a criação de uma comissão para analisar a possível ordenação de diaconisas.

Francisco abriu esta possibilidade ontem, depois de em uma audiência algumas religiosas pedirem a ele que instituísse uma comissão oficial para estudar a questão,

"Seria fazer o bem da Igreja e esclarecer este ponto. Estou de acordo e falarei para que se possa realizar algo assim. Aceito a proposta. Parece útil ter uma comissão que esclareça bem as coisas", disse na audiência com 900 representantes da União Internacional das Superioras gerais.

Diante da surpreendente abertura do papa, o cardeal Kasper explicou: "acredito que agora se abrirá uma discussão feroz. A Igreja está dividida entre os que pensam que o diaconado permanente feminino é um retorno à igreja primitiva e os que acham que é um primeiro passo para as mulheres sacerdotes e por isso não pode ser possível".

Este cardeal, presidente emérito do Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, explicou que em 2003 a Comissão Teológica Internacional já se ocupou do tema e concluiu que as funções das diaconisas das primeiras igrejas "não eram equivalentes ao diaconado dos homens", mas o debate foi finalizado sem apresentar soluções.

"A Comissão deixou qualquer tipo de decisão nas mãos das autoridades da Igreja", acrescentou Kasper.

Perguntado se desta vez poderão chegar a uma solução, o cardeal alemão afirmou que "se levarmos em conta o que aconteceu no passado a resposta é não, mas tudo pode acontecer e por algum ponto é preciso começar".

Esta possibilidade já tinha surgido durante o Sínodo dos Bispos, em outubro de 2015, quando o arcebispo canadense Paul-Andre Durocher propôs avaliar permitir também às mulheres serem ordenadas como diaconisas.

Mas os bispos nem tocaram em um assunto que encontra resistência do setor mais conservador da Igreja, que já mostrou sua oposição ao diaconado para as mulheres, já que essa figura é um primeiro grau rumo à ordenação sacerdotal.

O papa Francisco reiterou várias vezes que a possibilidade do sacerdócio feminino é um capítulo fechado.

Segundo o concílio Vaticano II, as funções litúrgicas e pastorais do diácono são: "administrar solenemente o batismo, reservar e distribuir a Eucaristia, assistir ao casamento e abençoar em nome da Igreja, levar a extrema unção aos moribundos e ler a sagrada Escritura aos fiéis".

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