EUA criticam Irã por enviar condolências após morte de líder do Hezbollah

Washington, 13 mai (EFE).- Os Estados Unidos demonstraram "decepção" nesta sexta-feira com o ministro das Relações Exteriores iraniano, Mohammed Javad Zarif, por ter enviado uma carta de condolências após a morte do líder militar do grupo xiita libanês Hezbollah, Mustafa Badredín, abatido em um ataque aéreo na Síria.

O porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, John Kirby, não quis avaliar o impacto que a morte de Badredín pode ter no Hezbollah - organização considerada terrorista por Washington - e disse não ter informação sobre quem estava por trás do ataque.

No entanto, Kirby reagiu à carta enviada por Zarif ao Hezbollah, na qual o ministro lamentava a morte de Badredín e considerava que essa perda "reforçará a determinação do movimento de resistência libanês para lutar contra o regime israelense e o terrorismo", segundo informou a rede de televisão iraniana "Press TV".

"Vimos esses comentários e certamente não os compartilhamos em absoluto. É decepcionante que o ministro das Relações Exteriores Zarif tenha esse sentimento. Mas também sabemos que o Irã é um Estado patrocinador do terrorismo, e que seguiu apoiando esse grupo (Hezbollah)", afirmou o porta-voz americano em entrevista coletiva.

Kirby negou que os comentários de Zarif possam complicar a relação que o ministro iraniano desenvolveu com o secretário de Estado americano, John Kerry, por causa da assinatura do acordo sobre o programa nuclear iraniano no ano passado.

"Devido ao acordo nuclear, há um canal aberto de comunicação com o ministro das Relações Exteriores que o secretário Kerry usa e seguirá usando", apesar de os dois países não terem relações diplomáticas formais, lembrou o porta-voz.

"Esses canais de comunicação estão abertos e provavelmente o continuarão estando. Isso não significa, sob nenhum conceito, que estejamos fechando os olhos para o que o Irã é capaz de fazer ou perante estes comentários" de Zarif, acrescentou.

O Hezbollah anunciou nesta sexta-feira que Badredín, conhecido como "Zu al Fiqar", perdeu a vida em "forte explosão" em uma das posições da milícia perto do aeroporto internacional da capital síria, Damasco, onde várias pessoas ficaram feridas.

O grupo armado não especificou a origem da explosão, mas é possível que tenha sido um ataque da aviação israelense, que não é a primeira vez que bombardeia alvos do Hezbollah em território sírio.

O governo e o exército israelenses não confirmaram nem desmentiram estas informações, em linha com sua política habitual, mas analistas locais sugeriram que o país pode não ser o responsável pelo ataque nesta ocasião.

Badredín foi treinado pelo movimento palestino Fatah e em 1983 foi condenado à morte no Kuwait por supostamente participar de um atentado, mas em 1990 conseguiu escapar da prisão depois que as tropas do ditador iraquiano Saddam Hussein invadiram o pequeno país vizinho, e retornou ao Líbano para se unir o Hezbollah.

O Tribunal Especial para o Líbano (TEL) - corte especial criada para julgar o assassinato do ex-primeiro-ministro libanês Rafik Hariri em um atentado em Beirute em 2005 - vinculou Badredín e outros membros do Hezbollah à morte do político sunita.

Além disso, o líder militar da milícia xiita estava desde 2008 no ponto de mira dos EUA, que o impôs sanções econômicas em abril deste ano.

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