Grupos armados opositores cometeram crimes de guerra em Aleppo, diz AI

Beirute, 13 mai (EFE).- Grupos armados de oposição lançaram ataques indiscriminados que causaram a morte de civis contra o bairro de Sheikh Maqsud, na cidade de Aleppo, no norte da Síria, um distrito controlado por milícias curdas, denunciou nesta sexta-feira a Anistia Internacional (AI).

A ONG obteve provas, graças a testemunhas, de "abusos sérios" nessa região, onde pelo menos 83 civis morreram, dos quais 30 eram menores de idade, e 700 ficaram feridos entre fevereiro e abril.

A AI destacou que teve acesso a vídeos que mostram fogo de artilharia e disparos de bombas e foguetes por parte do Fatah Aleppo (Conquista de Aleppo), uma aliança armada opositora, contra esse bairro, dominado pelas Unidades de Proteção do Povo (YPG, em sua sigla em curdo).

"O golpe implacável em Sheikh Maqsud destruiu as vidas de civis. Uma ampla variedade de grupos armados do Fatah Aleppo lançou o que parecem ser ataques indiscriminados que poderiam supor crimes de guerra", lamentou a subdiretora interina da AI para o Oriente Médio e o Norte da África, Magdalena Mughrabi.

Nesse distrito, de maioria curda, vivem aproximadamente 30 mil civis. As YPG o controlam, mas o local está cercado por organizações armadas opositoras a norte, leste e oeste. Já as áreas ao sul de Sheikh Maqsud estão em poder das forças governamentais sírias.

Uma das moradoras do distrito explicou à AI que o lançamento de foguetes aumentou em fevereiro e que as pessoas tiveram que permanecer em suas casas durante dias.

Sua residência foi atingida em abril por um projétil que aparentemente continha um bujão de gás.

"Tudo o que eu lembro são as paredes desabando e o barulho de uma explosão. Fiquei ferida, tinha estilhaços nas mãos e pernas. Vivemos muito longe da frente de guerra, não há postos de controle nas proximidades", declarou a testemunha à Anistia.

A ONG indicou que as armas utilizadas para atacar Sheikh Maqsud são projéteis não guiados, como foguetes de fabricação caseira e outros equipados com bujões de gás, por isso os alvos não são precisos e seu efeito é indiscriminado.

Por outro lado, há acusações de que armas químicas poderiam ter sido utilizadas contra Sheikh Maqsud.

Um médico disse à AI que entre os dias 7 e 8 de abril tratou de seis civis e dois guerrilheiros das YPG com problemas respiratórios, atordoamento, olhos avermelhados e fortes ataques de tosse.

O médico afirmou que algumas das vítimas relataram que tinham visto fumaça amarela após o impacto dos mísseis.

Um toxicólogo consultado pela AI que revisou o depoimento do médico e um vídeo do suposto ataque químico não descartou que os sintomas apresentados pelos pacientes fossem resultado de um ataque com cloro.

A AI considerou que a comunidade internacional não deveria ignorar essas provas de crimes de guerra por parte dos opositores, sobretudo quando dois dos grupos que atacaram Sheikh Maqsud, os Livres de Sham e o Exército do Islã, enviaram representantes para as negociações de paz na Síria em Genebra.

"O fato de que a escala dos crimes de guerra por parte das forças do governo é muito maior não serve de pretexto para tolerar violações sérias por parte da oposição", opinou Mughrabi.

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