Maduro se protege de "golpe", e oposição mantém pressão para tirá-lo do poder

Caracas, 13 mai (EFE).- A tensão se mantém no cenário político da Venezuela depois de o presidente do país, Nicolás Maduro, ter anunciado a aprovação de um decreto para se proteger de um suposto golpe de Estado organizado no exterior, enquanto a oposição segue pressionando para dar sequência ao processo para tirá-lo do poder.

Maduro anunciou em rede nacional de rádio e televisão que assinou um decreto de "estado de exceção e emergência econômica" que o concede "poder suficiente" para enfrentar o suposto golpe, mas não detalhou o conteúdo da medida, apesar de destacar que ela é uma resposta a uma conspiração costurada nos Estados Unidos.

O presidente venezuelano afirmou que, em uma reunião realizada hoje em Washington, o ex-presidente da Colômbia Álvaro Uribe pediu a intervenção do país por "exércitos estrangeiros".

"Meus inimigos, dentro e fora da Venezuela, estão empolgados pelo golpe de Estado aplicado contra a presidente do Brasil, Dilma Rousseff", disse o líder venezuelano.

Por isso, Maduro incluiu no decreto de exceção e de emergência econômica "as medidas necessárias para garantir a soberania em qualquer palco no qual pretendam agredir meu governo, seja político, militar, ou diplomaticamente desde o exterior".

O anúncio foi feito enquanto a coalizão de oposição Mesa da Unidade Democrática (MUD) segue informando sobre ações para a realização do referendo para revogar o mandato de Maduro. Onze dias já se passaram desde que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) recebeu as 1,8 milhões de assinaturas requeridas para iniciar o processo.

A MUD disse organizará uma manifestação amanhã para apresentar o caminho com o qual pretende pressionar "pacífica e democraticamente" o CNE para que dê sequência ao referendo.

"Vamos desenhar qual vai ser o caminho da MUD para continuar com o processo, qual vai ser o plano de mobilização na próxima semana, porque sabemos que teremos obstáculos", explicou o deputado opositor Stalin González.

Já o prefeito de Sucre, Carlos Ocariz, disse que a MUD pediu ao CNE que inicie no dia 2 de junho o processo de verificação das assinaturas para ativar o referendo contra Maduro.

Por sua vez, o duas vezes candidato à presidência da Venezuela, Henrique Capriles, pediu que os funcionários públicos que deram sua assinatura à oposição sejam corajosos diante das ameaças feitas por alguns porta-vozes do chavismo, que disseram que eles deveriam abandonar seus cargos e que em breve uma lista pública com todos os nomes será divulgada pelo CNE.

"Os funcionários públicos têm que ficar tranquilos, porque não vai haver lista. Os que estão ameaçando são os que serão colocados para fora. Não vai haver lista porque vai haver mudança de governo", reiterou o líder opositor.

Mais cedo, o governador do estado de Nova Esparta, Carlos Mata Figueroa, anunciou que já tem a lista com os nomes e sobrenomes dos que assinaram para aprovar um referendo contra Maduro.

"Então, quem assinou que aguente as consequências. Isso é algo público, não é segredo", destacou.

Mata apoiou o deputado Diosdado Cabello, um dos principais aliados de Maduro, que foi o primeiro a dizer que os funcionários públicos do alto escalão deveriam ser demitidos caso tivessem respaldado o referendo presidencial.

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