Plano tenta reduzir desigualdade no Senegal para desestimular imigração

Matam (Senegal), 13 mai (EFE).- O plano nutricional financiado no norte do Senegal por União Europeia (UE) e Espanha desperta grandes esperanças nos beneficiários, que consideram que a iniciativa estabelece as bases de um desenvolvimento durável para acabar com a pobreza e a imigração ilegal.

"Esperamos que graças a esse plano, nossos maridos possam voltar do estrangeiro", afirmou à Agência Efe Diyé Ba, porta-voz de um grupo de 20 mulheres presentes no lançamento do plano.

Além de garantir maior esperança de vida às crianças de até cinco anos, os 10 milhões de euros do projeto serão usados para melhorar a segurança alimentar na região, o acesso aos serviços sociais básicos, e propor mudanças na governança das comunidades e sua capacidade de resposta às crises.

Com bebês de poucos meses nos braços, as mulheres chegaram ao evento não como espectadoras, mas para dialogar diretamente com o secretário de Cooperação Internacional da Espanha, Jesus Gracia, com o comissário europeu de Desenvolvimento, Neven Mimica, e com o ministro de Orçamento do Senegal, Birima Mangara.

"A precariedade imposta pela pobreza e pela falta de perspectiva não deixava outro caminho do que o exílio", acrescentou Ba, cercada por suas companheiras.

Esse projeto é o primeiro lançado no Sahel pelo fundo fiduciário criado pela UE para ajudar o continente africano, diminuindo a instabilidade da região e as causas da imigração ilegal.

Para Oumar Diack, coordenador da Federação das Associações de Fouta para o Desenvolvimento (FAFD), uma ONG que reúne 60 entidades, esse novo projeto oferece esperança a uma das regiões mais vulneráveis do Senegal.

"Até agora, os projetos eram montados sem consultar os beneficiados. Com esse se notou uma mudança de método porque fomos envolvidos desde o início", ressaltou Diack em entrevista à Efe.

"Ao favorecer a criação de empregos para a juventude local, o projeto vai eliminar, pouco a pouco, as condições que obrigavam milhares de pessoas a buscar fora uma vida digna", afirmou o senegalês, que faz parte dos poucos de sua geração que pôde resistir à tentação da imigração.

Os fracassos de vários projetos lançados na região ocorreram pela falta de envolvimento das populações locais, que vê com desconfiança iniciativas que não são construídas de forma conjunta.

O secretário espanhol para a Cooperação Internacional afirmou que o "bem-estar da população oferece as melhoras necessárias para eliminar as causas profundas da migração irregular".

"A falta de oportunidades é o que obriga os jovens a abandonar seus países", avaliou Gracia.

O projeto, que beneficiará diretamente 100 mil pessoas e indiretamente outras 200 mil, terá início em junho nos departamentos de Podor, Matam, Ranerou e Kanel.

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