Antalya, a cidade turística turca que desperta pouco interesse dos refugiados

Belém Delgado.

Antalya (Turquia), 14 mai (EFE).- Antalya, no litoral mediterrâneo da Turquia, vende seus encantos para todo o mundo, mas são poucos dos 3 milhões de refugiados sírios que se instalaram na cidade e tentam ali sobreviver, sobretudo trabalhando no campo.

Mohammed, que prefere usar um nome fictício, chegou ao local há quatro meses, após atravessar - em sua sétima tentativa - a fronteira com a Turquia acompanhado de seus pais, irmã, esposa e filha.

Em entrevista à Agência Efe, ele definiu sua vida como "um inferno". Não só por ter sofrido com a guerra e perdido sua casa na cidade de Palmira, destruída pelos jihadistas do Estado Islâmico (EI) e recentemente recuperada pelo regime de Bashar al Assad.

O que mais dói, afirma o refugiado, é a falta de perspectivas e a miséria enfrentada por ele e por seus parentes.

Mohammed atravessou montanhas durante dias e noites, sem descanso, se alimentando dos frutos das árvores. Quando chegou à província de Antalya, ficou na região rural até não poder mais.

Então, entrou em contato com uma pequena organização de mulheres que, como revelou a refugiada Ina Turner, tenta ajudar os sírios com alimentos, roupas e fraldas para os bebês.

Turner explica que alguns deles vivem amontoados em bairros pobres nos arredores da cidade, mas o pior é a situação em que sobrevivem: sem água nem banheiro, em tendas perto das fazendas dessa província de potencial agrícola.

A quantidade de refugiados na região é difícil de determinar. Em abril, só havia inscritos 147 refugiados sírios "beneficiários de proteção temporária" em Antalya, uma das cidades com menos registros, de acordo com o governo da Turquia.

No entanto, Mohammad, que se registrou na província de Hatay, disse que muitos outros vivem escondidos das autoridades por medo de que sejam obrigados a se instalar nos acampamentos da fronteira.

É na divisa com a Síria que fica concentrada a maioria das quase 3 milhões de pessoas que fugiram do conflito no país buscando refúgio na Turquia.

Por outro lado, os que permanecem em Antalya estão expostos a rumores sobre sua expulsão, com o pretexto de manter uma "boa imagem" da cidade para proteger o turismo.

Antalya, com 2 milhões de habitantes, é conhecida por suas praias de água cristalina, seus campos de golfe e até pela Porta de Adriano, em honra ao imperador romano que a visitou. No centro da cidade, passeiam turcos e estrangeiros atraídos pelo clima agradável.

Um dos responsáveis do Ministério da Agricultura na província, Dilek Bogatimur, negou à Efe a veracidade dessas ameaças. "Os turcos são muito hospitaleiros e acolhem qualquer pessoa sem importar sua origem ou religião, tentando compartilhar o que têm".

Devido aos poucos sírios registrados em Antalya, uma porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) afirmou que o órgão não mantém na cidade um escritório ou parceiros que se encarreguem das pessoas vulneráveis. Por isso, quando os refugiados entram em contato, os pedidos são repassados às autoridades.

Mohammed, que está em contato com outros compatriotas para saber sobre suas necessidades básicas e organizar o envio de ajuda, lamentou o fato de as instituições terem deixado os sírios à própria sorte. Por isso, afirmou, eles perderam "toda a esperança".

Mais sortudos se sentem Rafik e Salma, um casal que veio de Aleppo e acaba de completar quatro anos em Antalya. Em uma região afastada do centro da cidade e frequentada por sírios, eles chegam em um carro com seus cinco filhos pequenos para serem atendidos por uma médica em uma das casas.

Rafik disse que trabalha no campo junto com outros 20 sírios e recebe cerca de 75 euros por mês, lavrando a terra e colhendo verduras e batatas. Ele recebe parte dos alimentos para alimentar sua família, com a qual vive em apenas um quarto.

Dessa forma, pelo menos, eles se sustentam, afirmou Salma.

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