Monge budista idoso é assassinato em novo ataque com faca em Bangladesh

Daca, 14 mai (EFE).- Um idoso monge budista foi assassinado neste sábado a facadas em uma ação similar às recentes agressões seletivas cometidas por islamitas contra coletivos minoritários, embora a polícia tenha dito que abriu outras linhas de investigação.

Mong Shwe U Chak, de mais de 80 anos, foi atacado por entre dois ou três agressores na madrugada local na aldeia de Uppar Chak Para, do distrito de Bandarban, explicou à Agência Efe o superintendente adicional da zona, Abu Muhamad Hassan.

"A vítima tinha ferimentos próprios de um grande faca no pescoço e na nuca. Achamos, pela informação que recolhemos, que o assassinato aconteceu por volta das 5h local (20h em Brasília)", explicou Hassan.

O monge budista tinha construído seu próprio templo, no qual vivia há um ano e meio, e era uma pessoa respeitada e que "não tinha inimigos" no lugar, com grande presença de fiéis budistas, acrescentou a fonte.

"Estamos investigando o celular do assassinato. Acreditamos que era um assunto pessoal, uma disputa de terras... Nesta parte de Bangladesh não operam grupos extremistas islâmicos e não temos constância de que houvesse ameaças", indicou o comando policial.

O assassinato de Shwe U Chak constitui o sexto ataque a facadas contra coletivos minoritários que ocorre em Bangladesh desde o começo de abril e que tirou a vida, além disso, de um ativista laico crítico ao fundamentalismo islâmico, um professor universitário ateu, dois ativistas homossexuais, um alfaiate hindu e um líder espiritual sufista.

Este tipo de ataque começou a se estender em 2013, a princípio tendo como alvo os conhecidos "blogueiros ateus", embora no ano passado tenham se intensificado e por enquanto causaram a morte de mais de cerca de 20 pessoas, incluídos cidadãos estrangeiros e fiéis de todo tipo de minorias religiosas.

Algumas das ações foram reivindicadas pela braço da Al Qaeda no subcontinente indiano e outras pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI).

As autoridades políticas e policiais responsabilizaram organizações extremistas autóctones e acusaram frequentemente as principais forças opositoras: o Partido Nacionalista (BNP) e Jamaat-e-Islami (JI).

Este último partido, cujo presidente Motiur Rahman Nizami foi executado nesta semana, está vetado atualmente de participar de eleições e tem a cúpula encurralada judicialmente por crimes cometidos durante a guerra de independência de 1971, na qual Bangladesh se separou do Paquistão.

90% dos 160 milhões de habitantes de Bangladesh são muçulmanos, com os hindus como principal minoria e pequenas comunidades de cristãos e budistas.

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